2 de Junho de 2012 / às 17:08 / em 5 anos

ENTREVISTA-Títulos são o trunfo do faminto por ouro Bolt

Os feitos de Usain Bolt são tão extraordinários que a sensacional vitória do jamaicano com 9,76 segundos nos 100 metros rasos em Roma foram saudados como uma mera ““volta à forma” após sua lenta saída em Ostrava na semana passada.

O jamaicano Usain Bolt se alonga após vencer o evento de 100 metros masculinos em Roma, 31 de maio de 2012. REUTERS/Giampiero Sposito

De fato, somente Bolt, o norte-americano Tyson Gay e o compatriota Asafa Powell têm corrido mais rápido e o tempo teria sido bom para vencer todos os campeonatos mundiais e finais olímpicas até o recorde mundial de 9.69s nos Jogos de 2008.

Mas tudo o que o jamaicano faz é medido contra os entorpecedores números que ele estabeleceu em Pequim e no Mundial de 2009 em Berlim, quando fez 9.58s nos 100 metros e 19.19s nos 200.

Bolt disse que correr 100 metros em 9.7s é algo em que já pensou mas que isso já passado, na entrevista que concedeu a Reuters na sexta-feira.

“Sim, foi bom e estou muito feliz com a minha técnica mas nós não estamos muito estressados com o tempo, estamos trabalhando em deixar tudo certo para as Olimpíadas (de Londres),” disse ele sobre sua parceria com técnico Glen Mills.

“Minha saída foi boa mas minha transição não foi tão boa, meus ombros estavam um pouco fora e é isso que estamos trabalhando.”

“Tudo está ficando melhor. Eu não tive lesões esse ano e estou em boa forma e gastamos um bom tempo na academia. Agora trata-se de recuperar minha fluência, mas ainda é cedo nesta temporada.”

AGENDA AGITADA

Como deve ter sido deprimente para todos os adversários de Bolt que talvez detectaram uma falha na estratégia que ele construiu para vencer com 10.04s na República Tcheca na semana passada e disse que após isso ele tinha batalhado bastante para conseguir seu tempo mais lento em finais dos 100 metros.

Sua prova em Roma rapidamente esmagou qualquer ideia de vulnerabilidade e ele simplesmente atribuiu a uma melhora no sono e do padrão alimentar durante o período de viagem.

Bolt continuou sua agenda agitada com uma visita rápida a Londres para lançar o uniforme da Jamaica pela Puma e uma linha de roupas desenhada por Cedella Marley, filha do astro do reggae Bob.

Perguntado sobre o que tipo de retorno faz com a mente dos rivais, Bolt disse nunca ter pensado nisso.

“Tudo o que sei é que se eu for capaz de correr em 9.6s ninguém vai me vencer,” disse.

Seus tempos, e a especulação de quanto mais rápido ele pode ir são o combustível para Bolt, que continua sendo um verdadeiro atleta com coração e o motiva a buscar títulos e seu lugar no panteão do esporte.

Apenas Carl Lewis teve sucesso ao defender a medalha de ouro olímpica dos 100 metros rasos na edição seguinte dos Jogos e mesmo assim após o vencedor bem Johnson ser desqualificado por doping.

“Eu quero o ouro,” disse Bolt. “Eu quero correr rápido mas vencer é o que interessa, esse é o foco.”

“Para mim os 100 metros são o auge, sem dúvida, eu tenho que vencer. Mas eu disse a todo mundo, eu estou indo para vencer os 200. Sou sério quanto aos 200. Não estou brincando,” adicionou.

UMA LENDA

Ninguém que testemunhou seus gloriosos recordes em Pequim e Berlim pode questionar seu desejo.

“Muitas pessoas se prendem a tempos - Eu não. Eu só quero ir lá e defender meu título porque para mim é o que fará de mim uma lenda,” disse Bolt.

Ele sabe que sua história no esporte é boa e tem consciência de sua posição, não apenas pelos desempenhos espetaculares mas também de maneira que envolve o público e proporciona um espetáculo para recordar.

Bolt também tem consciência do interesse de que ele se desloque para os 400 metros, distância que parece perfeitamente projetada.

Aos 25 anos, ele disse que ainda estava se desenvolvendo fisicamente, e rejeita a perspectiva de “muito trabalho duro”, mas acrescentou que Mills não vai deixá-lo fora de forma tão facilmente.

“As pessoas se lembram de mim como um garoto e dizem: ‘Vamos ver o que você tem a oferecer nos 400”, disse. “Eu sinto que meu treinador quer que eu corra, eu acho que nós vamos ter um confronto no final do ano”.

“Eu sei que as pessoas têm dito que isso realmente me faria uma lenda (acrescentar o ouro nos 400), mas eu acho que se eu sair e correr em 9,4s e 18s eu vou causar impacto”.

Reportagem de Ken Ferris

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