14 de Junho de 2012 / às 18:25 / 5 anos atrás

ANÁLISE-Ponto fraco, defesa do Brasil gera dúvidas para Londres

Por Pedro Fonseca

O argentino Lionel Messi passa entre os brasileiros Rômulo e Juan em amistoso disputado no sábado. REUTERS/Eduardo Munoz

RIO DE JANEIRO, 14 Jun (Reuters) - Mano Menezes já adiantou que Thiago Silva será o capitão do Brasil na Olimpíada de Londres. A presença do zagueiro do Milan, no entanto, não deve ser o bastante para dar consistência à defesa brasileira nos Jogos Olímpicos.

Usar as três vagas que tem direito para jogadores acima do limite de idade olímpica (23 anos) para homens da defesa pode ser a saída para o treinador tentar resolver as falhas defensivas. Ainda assim seria pouco, já que há dificuldades entre os jovens nas duas laterais e também em encontrar um companheiro para Thiago Silva no miolo da zaga.

Com o capitão lesionado e a defesa formada pelos jovens Juan e Bruno Uvini, o Brasil não conseguiu marcar a Argentina de Lionel Messi e foi derrotado por 4 x 3 no último jogo da seleção olímpica, no sábado, quando o melhor jogador do mundo explorou com velocidade os espaços deixados pela retaguarda do Brasil.

“Seleção brasileira não pode levar quatro gols de ninguém, nem da Argentina nem de Messi”, disse à Reuters o ex-lateral-direito do Brasil Carlos Alberto Torres, capitão do tricampeonato mundial conquistado em 1970 no México.

“Tem muita coisa para arrumar ali. Não dá para jogar sem o Thiago Silva e precisa de outras peças também, porque o time mostrou uma fragilidade defensiva. Acho que essa é a principal lição que fica desses amistosos”, acrescentou.

Mesmo quando esteve em campo, o zagueiro de 27 anos, que já foi confirmado como um dos três nomes acima do limite de idade para os Jogos, o Brasil perdeu por 2 x 0 para o México e também levou gols nas vitórias por 4 x 1 sobre os EUA e 3 x 1 sobre a Dinamarca.

“É muito gol para uma defesa brasileira, mas foi uma boa lição, porque enfrentamos a força máxima da Argentina e a seleção (brasileira) está se formando”, disse o tetracampeão mundial com o Brasil Mario Jorge Zagallo.

O lateral-direito Danilo, que começou a série de amistosos como titular, perdeu a vaga para Rafael contra a Argentina após deixar clara sua deficiência na marcação. O gol dos EUA e o primeiro do México saíram em erros defensivos do jogador do Porto.

Na zaga, Juan cometeu o erro mais grosseiro do Brasil nos amistosos. Não afastou uma bola dentro da área e acabou sendo forçado a cometer um pênalti contra o México.

“Com a volta do Thiago, acho que pode minimizar, mas precisa também de um lateral direito. Nem o Danilo nem o Rafael têm condições de entrar nessa seleção”, disse à Reuters o técnico bicampeão brasileiro Antonio Lopes, campeão do mundo em 2002 como diretor técnico da seleção brasileira.

Para os Jogos Olímpicos, em que o Brasil tentará mais uma vez a conquista da inédita medalha de ouro, Mano Menezes pode buscar consertar os problemas levando a dupla titular da seleção principal Thiago Silva e David Luiz. A terceira vaga acima dos 23 anos deve ser do lateral-esquerdo Marcelo, que tem ido bem pela seleção, mas que é mais conhecido pela força ofensiva do que na marcação.

Porém, ainda sobraria o problema da direita. Nesse caso, Mano poderia optar por Daniel Alves, que joga nas duas laterais, mas o treinador teria que abrir mão de um dos outros nomes.

“Tem que corrigir, na minha opinião, a lateral-direita, colocar um quarto zagueiro para jogar com o Thiago Silva, seja o David Luiz ou o Dedé, porque o Juan, faça-me um favor”, acrescentou Lopes, reconhecido por armar boas defesas em suas equipes.

Mano reconheceu após a derrota para os argentinos que precisa buscar soluções na defesa, mas no geral disse estar satisfeito com a equipe. “Queremos ceder menos oportunidades do que cedemos ao melhor jogador do mundo”, afirmou.

“Mas todo trabalho que fazemos há quase dois anos tem fundamento. A maior prova disso é a nossa capacidade de enfrentar qualquer adversário”, disse ele sobre o jogo equilibrado contra a Argentina.

OSCAR BRILHA, DAMIÃO NÃO

De positivo dos amistosos, a entrada de Oscar no meio-campo se mostrou uma solução tanto na criação de jogadas ofensivas como na ajuda à marcação. Escalado com a camisa 10 no lugar de Ganso, que se recupera de mais uma lesão, o jogador do Internacional apareceu bem em todos os amistosos e marcou um dos gols contra a Argentina.

Mano também utilizou como titular o meia-atacante Hulk, outro jogador acima do limite de idade para a Olimpíada. Para substituí-lo em Londres, no entanto, o treinador tem boas opções em nomes como Lucas e Giuliano, por exemplo, além de Paulo Henrique Ganso, o que exigiria uma mudança tática.

Para Zagallo, Mano está certo se optar por levar os “veteranos” para a defesa, porque o Brasil “tem mais facilidade no ataque e o mais importante é fechar o setor defensivo”, disse.

“Apesar das derrotas, a seleção... está evoluindo e tudo indica que vai fazer uma boa apresentação nas Olimpíadas”, completou o campeão mundial como jogador em 1958 e 1962, como técnico em 1970 e auxiliar técnico em 1994.

A maior preocupação no ataque, na verdade, se refere ao camisa 9. Leandro Damião, que apareceu como solução para o Brasil até mesmo para a Copa do Mundo de 2014 no país, não marcou um gol sequer nas quatro partidas e teve atuações apagadas.

Alexandre Pato, outro ex-candidato a substituto de Ronaldo no comando do ataque da seleção, voltou a jogar pela seleção nos amistosos após recuperar-se de uma série de contusões e pode ter colocado um ponto de interrogação para o treinador.

“Apesar do Damião não ter ido muito bem, é um jogador que vinha fazendo um bom ano, acho que ele pode permanecer e lutando ele pode acertar. O Damião é bom jogador e fica mais como referência que o Pato. O Pato ficaria como opção”, avaliou Lopes.

Reportagem adicional de Tatiana Ramil em São Paulo

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