9 de Julho de 2012 / às 18:07 / em 5 anos

Seedorf vê portas abertas para jogadores europeus no Brasil

RIO DE JANEIRO, 9 Jul (Reuters) - Considerado uma das mais importantes contratações do futebol brasileiro dos últimos tempos, o meia holandês Clarence Seedorf, do Botafogo, aposta que o Brasil continuará atraindo estrelas internacionais em razão do bom momento econômico e da proximidade com a Copa do Mundo de 2014, mas acredita que o país continuará sendo principalmente um exportador de jogadores.

Meia holandês do Botafogo Clarence Seedorf antes de entrevista coletiva no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, usando camisa entregue pelo prefeito Eduardo Paes. REUTERS/Sergio Moraes

O uruguaio Diego Forlán, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, foi outra estrela internacional a trocar o futebol europeu pelo Brasil neste mês. O atacante, que estava na Inter de Milão, assinou com o Internacional e, assim como Seedorf, foi apresentado por seu novo clube no fim de semana.

“Pode ser que eu abri uma porta para outros jogadores europeus pensar em jogar no Brasil”, disse Seedorf, em português, em sua primeira entrevista coletiva após ter sido apresentado à torcida no sábado, no estádio Engenhão.

“O Brasil está crescendo economicamente, todo mundo reconhece o futebol brasileiro no mundo. A escolha do jogador tem que ser bem feita até porque o Brasil, com tantos talentos, não vai se tornar uma Europa e trazer 5, 10 jogadores internacionais por ano. O Brasil não precisa. Brasil e Europa sempre serão diferentes”, acrescentou.

Seedorf, de 36 anos, assinou contrato de dois anos com o Botafogo e vai receber cerca de 700 mil reais mensais de salário, além de luvas e participação em ações de marketing, segundo reportagens.

Novos contratos lucrativos de patrocínio e de direitos de televisão, além do real fortalecido, permitiram aos clubes do país, além da contratação de jogadores do exterior, conseguir segurar jovens promessas que antes seriam seduzidas por propostas estrangeiras.

Nascido no Suriname, país vizinho ao Brasil, Seedorf brincou que a partir de agora o Botafogo ganhou uma torcida ainda maior: a do país natal do ex-jogador da Holanda.

Seedoorf lembrou que desde criança torcia para a seleção brasileira e que o carinho pelo país aumentou com a convivência com jogadores brasileiros na Europa, o casamento com uma carioca e férias passadas por aqui.

“Jogar no Brasil era algo quase lógico, mas inesperado”, disse ele, que reconheceu uma simpatia pelo rival alvinegro Flamengo antes de ser contratado pelo Botafogo.

“Sempre fui simpatizante do Flamengo... Zico era meu ídolo e jogava lá. Sempre gostei mais do Milan e fui jogar na Inter. Hoje sou Botafogo”, disse.

Depois de recepções calorosas na chegada ao Rio, com cerca de dois mil alvinegros no aeroporto na semana passada, e diante de mais de 20 mil torcedores no Engenhão, Seedorf começa a treinar na terça-feira no novo clube. A estreia ainda não tem data para acontecer.

Com o holandês, que será o novo camisa 10 da equipe, o Botafogo espera voltar a viver os dias de glória do passado. O último título brasileiro foi conquistado em 1995.

“Não sou de falar muito. Gosto é de fazer. Gosto de trabalhar, aprender, criar grupo e colocar na mesa minha experiência. Isso eu posso prometer”, afirmou.

“Vitórias, prometer que vamos ganhar, é um sonho. Sonhar eu também faço bem, e na minha carreira realizei muitos sonhos. O sonho do Botafogo é ganhar o Campeonato Brasileiro, mas tem que mostrar em campo. Acho que se a Grécia ganhou a Eurocopa de 2004, porque o Botafogo não pode ganhar o Brasileiro?”

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier

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