26 de Julho de 2012 / às 15:09 / em 5 anos

ENTREVISTA-Atleta grega considera exclusão dos Jogos excessiva

Por Graham Wood

ATENAS, 26 Jul (Reuters) - A saltadora grega Paraskevi Papachristou estava sem dormir, amargurada com a sua exclusão dos Jogos Olímpicos e sente que a punição foi excessiva, disse ela à Reuters nesta quinta-feira.

Paraskevi foi tirada da equipe da Grécia dois dias antes da cerimônia de abertura depois que o Comitê Olímpico de seu país afirmou que seus comentários no seu perfil no Twitter sobre o vírus do Nilo Ocidental e o número de africanos na Grécia eram contra o espírito olímpico.

“Eu não dormi nada e, para ser honesta, ainda estou tentando entender o que aconteceu”, disse a atleta nascida em Atenas, em entrevista à Reuters. “Eu estou tentando manter a calma, senão iria perder o controle.”

“Sou grata ao meu treinador e à minha família e a tantas outras pessoas que ficaram do meu lado.”

Paraskevi, que pediu desculpas na quarta-feira pelo tweet ofensivo, contou que seu principal sentimento era de amargura sobre sua punição, que considerou excessiva.

“Depois de tantos anos de sofrimento e sacrifícios para tentar conseguir a minha primeira Olimpíada, estou muito amargurada e triste. Mas o que me chateia mais é a reação excessiva e a rapidez da decisão disciplinar”, afirmou ela.

A atleta loira de 23 anos que ostenta um piercing no umbigo e é uma figura popular na Grécia, iria partir para os seus primeiros Jogos Olímpicos na próxima semana.

“Eu não sei se eles querem fazer de mim um exemplo por causa do meu perfil, isto é para os outros julgarem, mas o que eu acredito é que eles usaram o poder disciplinar máximo em mim para isso”, disse Paraskevi.

“Eles foram direto para a fase final, excluindo-me da equipe, o que foi muito excessivo.”

No tweet ofensivo na segunda-feira, ela escreveu: “Com tantos africanos na Grécia ... os mosquitos do Nilo Ocidental pelo menos vão comer comida caseira!”

Partidos políticos de esquerda exigiram sua retirada da equipe e os críticos também foram rápidos em apontar que ela havia compartilhado um tweet de Ilias Kasidiaris, um político do partido de extrema-direita Amanhecer Dourado, criticando a posição do primeiro-ministro, Antonis Samaras, sobre a imigração.

CONDIÇÕES DE TREINO

Mas ela atacou seus críticos oficiais, dizendo que o Estado grego, sem dinheiro, não ofereceu nenhum apoio aos atletas, forçando-os a treinar em condições adversas.

“Temos zero apoio do Estado”, disse ela. “Há um monte de coisas que as pessoas não conhecem, tais como as condições inaceitáveis em que temos de treinar.”

“Por exemplo, não há aquecimento e nem água quente mesmo para tomar um banho no inverno, nenhum ar-condicionado no verão e instalações de treinamento miseráveis e equipamentos em mau estado.”

Apesar de sua amargura, Paraskevi disse que pretende respeitar plenamente a decisão e que a experiência a tornou mais determinada a fazer o bem.

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