30 de Julho de 2012 / às 21:03 / em 5 anos

Brasileiras buscam "para ontem" jeito de bater os EUA no vôlei

Por Pedro Fonseca

O técnico da seleção brasileira de vôlei, José Roberto Guimarães, conversa com as jogadoras Sheilla Castro e Danielle Lins (direita) após perder uma partida contra os Estados Unidos nas Olimpíadas de 2012 em Londres. 30/07/2012 REUTERS/Ivan Alvarado

LONDRES, 30 Jul (Reuters) - O técnico José Roberto Guimarães garante que só vai se preocupar em pensar como vencer os Estados Unidos se voltar a encontrar as maiores adversárias do Brasil na atualidade, mas as jogadores da seleção brasileira já preveem um reencontro e não vão esperar até lá.

A equipe norte-americana, que conquistou os três últimos títulos do Grand Prix deixando o Brasil com a prata, voltou a vencer nesta segunda-feira, numa repetição da decisão olímpica de quatro anos atrás, mas dessa vez ainda pela primeira fase dos Jogos de Londres.

As lembranças da vitória sobre as mesmas adversárias na final de Pequim-2008 são justamente o que move o time do Brasil em busca de repetir o resultado da China, apesar de as norte-americanas serem o melhor time do mundo atualmente.

“A gente tem que reencontrar para ontem a maneira de ganhar dos Estados Unidos”, disse Paula Pequeno, remanescente do time campeão na China, após a derrota brasileira por 3 sets a 1 (25-18, 25-17, 22-25 e 25-21) na partida do Grupo B.

“A gente sabe a fórmula, só precisa encaixar isso de uma vez por todas e no dia certo. Eu confio que será na próxima oportunidade, na hora certa a gente vai conseguir. Imagino que o nosso jogo vai encaixar no dia certo”, acrescentou.

O Brasil, que já tinha sofrido para vencer a Turquia em sua estreia em Londres no sábado, precisando ir até o tiebreak, cometeu muitos erros de recepção e saque contra os Estados Unidos e foi dominado na maior parte do jogo -- única exceção foi no 3o set.

Os EUA anotaram 27 pontos (mais que um set inteiro) apenas em erros do Brasil, que em contra partida contou com 17 pontos em falhas norte-americanas.

A levantadora Fernandinha, que começou a Olimpíada como titular apesar de só ter sido convocada pela primeira vez em 2012, já aos 32 anos, não conseguiu dar ritmo de jogo ao time e foi substituída no final do 2o set por Dani Lins. A mudança, conciliada com a entrada de Fernanda Garay, melhorou o time, que conseguiu vencer a parcial seguinte.

“A Dani entrou bem no jogo, eles tinham me marcado muito bem, mas não foi suficiente porque a gente está com dificuldade de pôr a bola no chão quando não está com o passe na mão”, disse Fernanda, reconhecendo os problemas da seleção brasileira e também já antecipando o que o time precisa melhorar num reencontro com os EUA.

“Tivemos muita dificuldade porque o passe não saiu. principalmente no primeiro e no segundo set. Elas (EUA) estão tocando e defendendo e a gente não está fazendo igual. Acho que temos que sacar melhor para facilitar na hora de defender, porque elas tem um poder de ataque muito forte.”

OUTROS ADVERSÁRIOS

Zé Roberto, o técnico campeão em Pequim-2008 e que também levou o ouro com os homens em Barcelona-1992, não quis se concentrar no que precisa ser mudado nos aspectos técnicos e táticos do jogo contra os EUA, preferindo ressaltar a necessidade de uma postura diferente da equipe para próxima partida, contra a Coreia do Sul.

“Não posso pensar nos Estados Unidos porque eu tenho Coreia, China e Sérvia. A gente precisa primeiro passar por esses adversários, como é que eu vou pensar nos EUA? Não posso”, disse.

O Brasil volta à quadra na quarta-feira contra a Coreia do Sul, enquanto os Estados Unidos vão enfrentar a China, em duas partidas pelo Grupo B. Com a vitória por 3 sets a 1, os EUA somaram três pontos e foram a seis, enquanto o Brasil tem dois da vitória por só um set de vantagem contra as turcas.

Reportagem de Pedro Fonseca; Edição Tatiana Ramil

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