3 de Agosto de 2012 / às 23:53 / em 5 anos

Força das mulheres leva judô a mirar 1o lugar na Rio-2016

Por Pedro Fonseca

LONDRES, 2 Ago (Reuters) - Com a primeira campeã olímpica da história e outras jovens judocas em condições de subir ao pódio, a equipe feminina de judô do Brasil deixa os Jogos de Londres como o carro-chefe da modalidade, com a responsabilidade de liderar a busca do país por um resultado histórico nos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro.

O ouro de Sarah Menezes e o bronze de Mayra Aguiar colocaram pela primeira vez as mulheres à frente dos homens, que conquistaram dois bronzes, com Felipe Kitadai e Rafael Silva, no quadro de medalhas de judô em uma Olimpíada.

As quatro medalhas atingiram exatamente a meta estabelecida pela Confederação Brasileira de Judô para Londres, apesar de o objetivo ter sido alcançado com bastante sofrimento após as derrotas dos favoritos ao pódio Tiago Camilo, Leandro Guilheiro e Rafaela Silva.

Sarah e Myara, com apenas 22 e 21 anos, respectivamente, vão carregar a bandeira da modalidade quando a Olimpíada for realizada em casa, no Rio de Janeiro, enquanto outras jovens judocas que tiveram uma primeira experiência olímpica na capital britânica vão poder se preparar para os Jogos seguintes tendo como modelo as colegas que já subiram ao pódio.

“O feminino tem uma excelente geração, atletas com cabeça de vencedoras e em quatro anos elas ainda podem evoluir muito”, disse à Reuters o campeão olímpico de 1988 Aurélio Miguel, que acompanhou a equipe brasileira na disputa em Londres.

“Sarah campeã, a Mayra podia ser campeã, a Rafaela foi uma injustiça o que aconteceu (desclassificação) porque seguramente teria conquistado medalha também, possivelmente de ouro, então as mulheres estão numa posição muito boa para 2016”, acrescentou.

Assim como fez as metas para Londres, o chefe da equipe do Brasil, Ney Wilson, também vai estabelecer e anunciar um número de medalhas esperadas para Rio-2016. E a ambição vai ser alta.

“O objetivo do Brasil é chegar em primeiro no quadro de medalhas do judô em 2016. A gente tem a Olimpíada dentro de casa e tenho certeza que a gente vai trabalhar não para fazer o melhor resultado, mas para a gente ser a maior potência do judô mundial”, disse Wilson, vibrante com o objetivo alcançado em Londres.

“As quatro medalhas saíram de atletas bem jovens, e isso dá garantia de resultado em 2016 com uma perspectiva bem grande”, acrescentou o dirigente, cuja modalidade agora ampliou para 19 o número de medalhas olímpicas - o maior número entre todos os esportes para o Brasil.

Em Londres, o judô brasileiro ficou em 6o lugar na classificação da modalidade, com quatro medalhas no total. A líder foi a Rússia, com cinco, sendo três de ouro, uma de prata e uma de bronze, seguida pela França, com duas de ouro e cinco de bronze.

INVESTIMENTO

O judô feminino já tinha dado em 2008 o primeiro fruto - com o bronze de Ketleyn Quadros, o primeiro pódio de uma judoca brasileira - de uma nova política de investimentos iguais para homens e mulheres, adotada a partir do Pan-2007.

Fora do tatame a grande responsável foi a técnica Rosicleia Campos, ex-judoca da seleção que sofria com a falta de estrutura para se preparar em sua época de atleta.

“O feminino não tinha nada e o masculino sempre teve tudo”, relembra. “A injeção de investimento, de acreditar mesmo, foi isso que aconteceu com o judô feminino. Hoje temos tudo igual então estamos com um resultado inédito.”

CAMINHO EM LONDRES

Depois de um primeiro dia brilhante, em que Sarah conquistou o ouro e Kitadai levou um bronze surpreendente porque não estava entre os favoritos, sete judocas brasileiros foram eliminados de forma consecutiva antes de terem a chance de lutar pela medalha.

Quando Tiago Camilo, vice-campeão em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008, chegou à semifinal, na quarta, parecia que o Brasil voltaria ao pódio, mas ele foi derrotados em dois combates seguidos e aumentou a angústia da equipe, que viu a meta ficar numa situação difícil.

O bronze da líder do ranking mundial Mayra Aguiar, na quinta-feira, foi apenas a segunda medalha considerada certa a se confirmar, e o pesado Rafael Silva, o Baby, garantiu que o objetivo fosse cumprido com uma vitória na disputa pelo bronze no último dia do judô nos Jogos, nesta sexta.

“Trabalhar com meta é sempre importante, é um desafio. A gente sabia que podia falhar, mas tinha muita confiança que podia alcançar também. Eu estava pronto para receber as críticas que pudessem vir, mas ao mesmo tempo estava muito confiante em obter o resultado”, disse Ney Wilson.

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