22 de Novembro de 2012 / às 21:13 / em 5 anos

Vettel luta contra a falta de carisma na F1 atual

Por Alan Baldwin

O piloto alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, posa para foto em Interlagos, nesta quinta-feira. REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO, 22 Nov (Reuters) - Sebastian Vettel adoraria parecer um campeão mais carismático e pitoresco, mas o espírito da época está contra ele.

Aos 25 anos, o piloto da Red Bull está prestes a entrar para a elite do esporte, caso se torne no domingo em Interlagos o mais jovem tricampeão da história da Fórmula 1, e o único a ganhar três títulos consecutivos.

O alemão só precisa de um quarto lugar para entrar numa lista que tem nomes como Niki Lauda e Ayrton Senna. Mas na quinta-feira lhe perguntaram se ele se considera comparável a esses gigantes em termos de personalidade.

Ele achou difícil responder.

A pergunta surgiu porque o dirigente comercial da categoria, Bernie Ecclestone, que tem 82 anos e é próximo a Vettel, declarou ao jornal alemão Bild que a atual geração de pilotos carece do carisma de campeões mais desbocados, como James Hunt, Senna e Lauda.

Ecclestone, que gosta de criar manchetes antes das corridas, sugeriu que os pilotos são mimados demais por suas equipes, e amordaçados pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

“Não sei exatamente o que ele disse, mas talvez ele estivesse só enchendo o sac...”, disse Vettel, para então se corrigir rapidamente - “enchendo a paciência do jornal, o que é muito possível com Bernie.”

A autocorreção, que causou risos quando o delegado da FIA para a Fórmula 1 colocou teatralmente uma mão sobre o ombro de Vettel, foi reveladora.

Neste mês, a FIA enviou uma carta a todas as equipes pedindo que os pilotos evitem falar palavrões durante premiações e entrevistas coletivas. Isso ocorreu por causa de um incidente ocorrido no pódio do GP de Abu Dhabi.

Vettel lembrou de como as coisas eram diferentes na época de Hunt e Lauda, nos anos 1970 e 80. Na época, o piloto tomava uma ou duas cervejas com os adversários depois dos treinos, fumava um cigarrinho no pódio, e soltava a baforada acompanhada de um palavrão, antes de varar a noite na balada.

Os pilotos se expressavam em termos mais francos, e tinham um grau de camaradagem raramente visto atualmente nos boxes. Como os veteranos gostam de lembrar, era uma época em que os carros eram perigosos e o sexo era seguro.

Vettel, piadista inveterado, reconheceu que é difícil se expressar numa época de marcação cerrada da imprensa e de contratos com patrocinadores.

“Para dar um exemplo: imaginem que vocês nos encontram sentados aqui num sábado à noite tomando uma cerveja, mesmo que seja só uma cerveja, já seria um estardalhaço no domingo”, afirmou.

Ele lembrou que o GP de Austin, no fim de semana, foi o primeiro a ser realizado no Texas desde 1984. Aquela prova foi vencida por Keke Rosberg - pai do atual piloto Nico Rosberg -, que acendeu um cigarro ao sair do carro.

“Não tenho certeza de que as pessoas ficariam felizes com isso, pois já ficam agitadas quando às vezes a linguagem não é adequada logo ao sair do carro.”

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