29 de Novembro de 2012 / às 16:58 / em 5 anos

Parreira e Felipão querem aproximar torcida do time brasileiro

RIO DE JANEIRO, 29 Nov (Reuters) - De volta à equipe brasileira depois de passagens pelas seleções de Portugal e África do Sul, a dupla Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira quer aproximar a seleção do torcedor para transformar a pressão por vitórias em apoio e títulos.

Felipão, que em 2002 criou a chamada “Família Scolari” na equipe nacional, aparentemente não deixou totalmente de lado o conceito, mas criou uma nova ideia e mais ampla: união entre seleção e população.

“Vamos fazer de novo composição de união, de ambiente e apoio da população para chegar à Copa confiante”, disse o técnico a jornalistas na sua primeira entrevista na volta à seleção brasileira, nesta quinta-feira.

“Não sei se a cara da seleção vai ser feia ou bonita, mas acho que o povo vai nos apoiar e incentivar”, completou.

A nova proposta foi endossada pelo coordenador técnico Parreira, que chega para ser um anteparo ao treinador da seleção. “Cabe a nós fazer com que as pessoas se envolvam e haja apoio popular”, declarou o novo coordenador técnico.

De terno e gravata, Parreira e Felipão, lembraram de suas passagens por Africa do Sul e Portugal, respectivemente, para traçar um novo caminho na relação entre torcedores e jogadores.

Com Portugal, Felipão foi vice-campeão europeu, perdendo o título em casa para a Grécia. Já Parreira comandou os ‘bafana bafana’, como são conhecidos os sul-africanos, na Copa de 2010, e não conseguiu levar o time da casa à segunda fase.

“Se tivesse que trocar qualquer título pelo que vivi em Portugal, eu trocaria... foi feita uma revolução em Portugal”, disse o treinador.

Parreira acrescentou: “Só quem dirige uma seleção sede de uma Copa sabe a sensação e a emoção que é. O povo dizendo para nós darmos orgulho com a nossa seleção, e esse apoio popular é muito importante.”

O distanciamento entre a seleção e a torcida brasileira é resultado do fracasso do país nas Copas de 2006 e 2010, da safra de jogadores menos qualificada e ao fato de o Brasil jogar a maioria de seus amistosos fora do país.

A estreia da nova comissão será no ano que vem, contra a Inglaterra, no estádio de Wembley, mas o grande teste da popularidade do Brasil será a partir de junho, na Copa das Confederações.

O próprio presidente da CBF, José Maria Marin, reconheceu que a escolha da dupla Felipão - Parreira atende ao anseio popular.

“Acho que a maioria esmagadora aplaude a nossa decisão e escolha. Estou com a consciência tranquila que como dirigente e torcedor, que eles vão corresponder plenamente a nossa expectativa”, declarou ele.

“Lamento profundamente que os brasileiros às vezes não reconhecemos o trabalho e idealismo de brasileiros; precisamos dar valor às nossas coisas, a nós mesmos. Os dois são respeitados no mundo inteiro e têm um passado”, completou Marin ao discurso ufanista.

BASE IMPLEMENTADA

Felipão evitou falar sobre o futuro time ou oportunidades a jogadores veteranos, mas disse que no começo, por falta de tempo, pretende aproveitar a base montada por Mano Menezes, demitido na sexta-feira.

Até a Copa das Confederações, a ideia é ter um time com a sua cara, afirmou Felipão. “Só vou falar de quem foi convocado; lembrem disso; não vou falar do Ronaldinho, do Pedro ou do João se não tiver na lista”, sentenciou.

“Claro que não vamos começar do zero, depois, com o tempo, vamos pegar uma seleção trabalhada, examinar itens e nomes, cada técnico tem uma forma de jogar e um ou outro nome deve ser mudado. Mas vamos pegar uma base para ser implementada”, adicionou.

O coordenador Parreira, que sempre foi um estudioso do futebol e nos últimos anos vinha se dedicando a trabalhos extra campo, antecipou que o Brasil, para ser hexacampeão mundial, vai precisar se adaptar ao novo estilo do futebol mundial, com muita correria e movimentação.

Mas ele destaca que o Brasil não pode abrir mão de suas características. “Temos que adaptar a exigência do futebol atual, que é voltar mais rápido - correr mais é uma realidade -, mas sem perder a criatividade e a característica de toque de bola”, avaliou.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier

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