30 de Novembro de 2012 / às 17:54 / 5 anos atrás

Copa das Confederações, prévia da Copa-2014, só deve testar estádios

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO, 30 Nov (Reuters) - Dentro de campo a Copa das Confederações será a principal oportunidade para o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, preparar o time antes do Mundial de 2014, mas fora dos estádios o Brasil terá pouco a aproveitar no evento-teste do ano que vem, já que a maioria das obras para a Copa do Mundo não estará pronta.

Seis das 12 cidades-sede da Copa do Mundo receberão entre 15 e 30 de junho de 2013 as partidas do torneio preparatório, cujo sorteio dos grupos será realizado no sábado, em São Paulo. O evento, no entanto, vai testar praticamente só os estádios, uma consequência da demora brasileira em iniciar as obras, em especial de mobilidade urbana e reforma dos aeroportos.

Apesar de o país ter sido oficializado como sede do Mundial em 2007, a maioria dos projetos só começou a sair do papel em 2011, com prazo apertado para 2014 e praticamente sem chances de conclusão para 2013.

Mesmo entre as arenas, uma das principais do Mundial, a de São Paulo --que vai receber o jogo de abertura da Copa do Mundo em 2014-- não será testada no evento do ano que vem, porque ainda estará em construção. A obra começou em maio de 2011.

Obras nos arredores dos estádios, projetos de mobilidade urbana e reforma e ampliação de aeroportos e portos ainda estarão em andamento nas seis cidades escolhidas para a competição preparatória. O projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo, que foi citado pelo Brasil quando fez campanha para receber o Mundial, não ficará pronto nem mesmo para o Mundial.

“O Brasil já perdeu a oportunidade para a Copa do Mundo”, disse à Reuters o professor Christopher Gaffney, da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), e especialista em planejamento urbano para megaeventos.

“Só para limpar o entorno do Maracanã demoraria três meses. Vamos ter a mesma impressão do Maracanã que tivemos na Copa do Mundo de 1950, um verdadeiro canteiro de obras”, acrescentou Gaffney, sobre o palco da final da Copa das Confederações, que tem prazo de conclusão das obras em fevereiro do ano que vem, mas ainda precisará passar por um processo de adequação antes do torneio.

Se não servir para testar o uso das instalações, o evento poderá ser um ensinamento para o país antes da Copa do Mundo, na avaliação do ministro Valmir Campelo, relator dos processos de fiscalização da Copa no Tribunal de Contas da União (TCU).

“Eventual falha neste teste de 2013 redundará, não tenho dúvidas, no desenvolvimento de melhorias para 2014”, disse Campelo à Reuters, em entrevista por email.

“Não tenho dúvidas da nossa capacidade do Brasil para realizar esse, como outros megaeventos. Já o fizemos antes, como na Eco-92, na Rio+20 e nos Jogos Pan-Americanos de 2007; e até na própria Copa do Mundo de 1950, em que, naquela época, construímos o Maracanã em apenas dois anos. Um após outro evento o Brasil tem aprendido com as experiências.”

O Comitê Organizador Local (COL), o governo e a Fifa realizaram esta semana a última reunião do ano, e a avaliação é que as obras dos estádios para a Copa das Confederações estão na reta final.

O foco agora se volta para a operação das arenas -como vão funcionar, por exemplo, a segurança, limpeza, orientação de público, o transporte e os serviços à imprensa.

“Depois das seis sedes confirmadas, temos agora o desafio de realizar esta competição da melhor forma possível, já que o seu início está muito próximo. Portanto, o foco agora é operacional e os próximos meses serão dedicados ao trabalho de sintonia fina nas diversas áreas”, disse o presidente do COL, José Maria Marin.

PRORROGAÇÃO

A Copa das Confederações passou a ser realizada como um evento-teste para o Mundial do ano seguinte em 2001, na Coreia do Sul e Japão. Nos países asiáticos e também na Alemanha, em 2005, o torneio serviu para colocar em prática o funcionamento das cidades-sede com um ano de antecedência para o Mundial, que atrai um volume muito maior de pessoas.

A situação de atrasos no Brasil se assemelha ao que foi visto na África do Sul antes do Mundial de 2010. O Soccer City, estádio da abertura do Mundial, também só ficou pronto para a Copa do Mundo, mas lá obras importantes, como a reforma do aeroporto de Johanesburgo e a ampliação de autoestradas ligando cidades-sede, ficaram prontas a tempo para a Copa das Confederações.

Um trem-bala entre Johanesburgo e Pretória, que fazia parte da proposta original sul-africana, não ficou pronto para o Mundial, mas um trecho entre o aeroporto e o centro de Johanesburgo foi inaugurado dias antes da Copa e serviu como principal meio de transporte para a chegada e saída da cidade.

No Brasil, mesmo os estádios, que obrigatoriamente têm de estar prontos para a bola rolar, tiveram os prazos de conclusão estendidos pela Fifa para a realização do torneio. Somente Fortaleza e Belo Horizonte vão cumprir o cronograma original e concluir suas arenas até dezembro deste ano, enquanto Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Salvador ficaram para o ano que vem.

Os seis estádios terão que fazer ao menos um evento-teste até metade de abril, para análise de logística, acomodações, transporte, acesso do público e infraestrutura em geral.

“Dois estádios serão entregues em meados de abril, bem depois de dezembro previsto. A nossa equipe disse que dá. Temos que confiar em quem trabalha para nós”, afirmou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, em visita ao país esta semana. “Temos um compromisso do governo nas seis cidades.”

GRAMADO

Gaffney, consultor esportivo especializado em grandes eventos, citou um outro problema: o gramado onde as equipes vão buscar o título.

“A coisa mais importante e mais preocupante para as seleções e os jogadores é o estado do gramado nos estádios. Qualquer grama de padrão internacional precisa de meses de crescimento in loco, e com os prazos atrasados não sabemos qual vai ser a condição da grama.”

No Maracanã, palco da final da competição preparatória e também da decisão da Copa do Mundo, a modernização completa da arena está prevista para ser concluída em fevereiro, mas todas as obras no entorno, que incluem a construção de estacionamento, um complexo comercial com lojas e restaurantes e novos acessos, só ficarão prontas para o Mundial.

A reforma do aeroporto internacional da cidade só ficará pronta em dezembro de 2013, enquanto a ampliação do metrô para a Barra da Tijuca, onde se concentra boa parte da capacidade hoteleira, será inaugurada apenas para os Jogos Olímpicos de 2016.

A obra de revitalização da região portuária, voltada também para a Olimpíada, estará em pleno funcionamento durante a Copa das Confederações, inclusive podendo complicar o trânsito na região central da cidade durante a Copa das Confederações.

Nos aeroportos de Brasília, Recife, Fortaleza, Salvador e Minas Gerais as obras também só têm previsão de conclusão após o torneio preparatório, assim como a maioria dos empreendimentos de mobilidade urbana nessas cidades.

A Fifa já demonstrou preocupação com os eventuais problemas que serão enfrentados pelos torcedores, incluindo os visitantes das sete seleções que vão se juntar ao Brasil na disputa do título, em consequência dos eventuais problemas com a infraestrutura local.

“Não é com relação às autoridades, às equipes ou à própria Fifa. Temos voos fretados e acomodações para eles, temos que pensar nos torcedores, precisamos que esses torcedores apoiem seus times”, disse Valcke.

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