22 de Fevereiro de 2013 / às 19:30 / em 5 anos

ENTREVISTA-Estou pronto para jogar de volante na seleção, diz David Luiz

Por Rodrigo Viga Gaier

David Luiz (D) disputa lance em amistoso da seleção brasileira contra a Inglaterra, em 6 de fevereiro. O zagueiro disse que está pronto para jogar no meio-campo, se for preciso. REUTERS/Stefan Wermuth

RIO DE JANEIRO, 22 Fev (Reuters) - Capitão no primeiro jogo do Brasil na volta de Luiz Felipe Scolari, e aparentemente peça-chave do esquema que o técnico quer montar para a Copa do Mundo de 2014, David Luiz está pronto para se tornar volante da equipe, deixando a posição de zagueiro que o consagrou como um dos mais caros defensores do mundo.

Felipão foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002, no Mundial do Japão e Coreia do Sul, com um esquema de três zagueiros em que Edmilson atuava também como um primeiro volante para garantir uma maior segurança à defesa, setor que era o principal ponto de preocupação daquela equipe.

Na seleção brasileira atual, que perdeu por 2 x 1 para a Inglaterra este mês no primeiro jogo da volta de Felipão, David Luiz atuou como zagueiro, num time que jogou com volantes considerados leves e de boa saída de bola, mas não tão fortes na marcação: Paulinho e Ramires.

Como em seu clube, o Chelsea, da Inglaterra, David Luiz passou a jogar de volante nas últimas partidas, o caminho para ele na seleção brasileira pode ser o mesmo, especialmente quando Thiago Silva recuperar-se de contusão e possivelmente voltar ao posto de titular da defesa brasileira.

David Luiz foi testado no segundo tempo do jogo com a Inglaterra mais adiantado, em um primeiro sinal já dado pela comissão técnica de que ele pode ser escalado como um volante mais forte para a sequência de amistosos do Brasil antes da Copa das Confederações, em junho.

“Estou disposto a ajudar onde for e no que for, seja na mudança de posição ou até fora de campo. Meu objetivo é sempre contribuir”, disse ele à Reuters por telefone, nesta sexta-feira, de Londres. “Já estou jogando em outra posição no Chelsea para ajudar o meu time”, acrescentou.

Sacrificar-se em uma posição diferente para ajudar o time a pedido do treinador não é novidade para o jogador brasileiro, de 25 anos. No Benfica, seu clube anterior, o defensor recebeu um pedido inusitado do então técnico: jogar de lateral-esquerdo para sanar uma carência do elenco.

Foram 12 meses de dedicação e muito aprendizado. “Foi um ano inteiro de lateral-esquerdo para ajudar o clube. Estou sempre de coração aberto para aprender e colaborar. Sou assim na minha profissão e na vida”, disse ele. “Conhecimento e crescimento são filosofia de vida”, completou o jogador, que contou ter recorrido à época a vídeos do ex-jogador italiano Paolo Maldini, lateral-esquerdo e também zagueiro, para aprender.

O conceito de volantes mais leves e com melhor saída de bola na seleção brasileira, em detrimento da força na marcação, foi estabelecido na seleção pelo técnico Mano Menezes, demitido no fim do ano passado. Foi um reflexo direto da escola espanhola de valorizar o toque de bola e maior dinamismo no meio-campo.

Mas, se por um lado, afastou o trauma da era Dunga que priorizava os chamados “brucutus”, por outro expôs mais o time e seu sistema defensivo. Mano deixou o cargo devido à falta de resultados.

Além de sua própria equipe campeã em 2002, Felipão pode buscar inspiração para reforçar o meio-campo em seu novo parceiro na comissão técnica do Brasil, Carlos Alberto Parreira -- ele próprio campeão mundial em 1994 tendo Dunga e Mauro Silva como volantes de marcação, com o segundo ajudando mais na zaga.

“A partir do momento que vejo dois treinadores com grande experiência e dois vitoriosos (Felipão e Parreira) projetarem algo para mim na seleção, isso é motivo de orgulho, estou alegre e tenho que trabalhar para estar bem”, disse.

“Se esse projeto (de ser usado como volante) for colocado em prática, vou tentar o meu melhor em nome da seleção”, acrescentou.

Independentemente da posição em campo, uma garantia David Luiz já leva ao time: espírito de liderança.

O zagueiro cabeludo, contratado por 25 milhões de euros pelo Chelsea em 2011, já exerce esse papel no clube londrino e pode consolidar isso na seleção brasileira.

“Ter sido capitão da seleção contra a Inglaterra foi motivo de muito orgulho. Sempre sonhei em capitanear minha pátria. Sonhei com isso desde criança e lutei para isso”, disse ele, que foi revelado pelo Vitória (BA).

“Às vezes você vê um companheiro cabisbaixo, menos confiante. Vou lá e tento estimular. Sou assim mesmo se o companheiro é mais velho”, disse.

Reportagem adicional de Pedro Fonseca

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