16 de Maio de 2013 / às 21:39 / em 5 anos

PERFIL-David Beckham, aposentado do futebol aos 38 anos

Por Mitch Phillips

LONDRES, 16 Mai (Reuters) - David Beckham anunciou sua aposentadoria aos 38 anos, quatro anos depois de ser convocado pela 115ª e última vez para a seleção inglesa, mas provavelmente deu uma olhada na mais recente lista do treinador Roy Hdogson, permanecendo orgulhosa e desafiadoramente “disponível para convocação” até o final.

No final da sua reluzente carreira, Beckham era mais lembrado como uma celebridade e como um jogador pulando de clube em clube, mas continuou sendo uma figura imensamente popular no seu país, entre todas as torcidas.

A razão fundamental é que, apesar de toda a marquetagem que acompanha cada movimento seu, ele adorava jogar futebol, e adorava acima de tudo jogar pela Inglaterra.

“Quero que as pessoas me vejam como um futebolista trabalhador, alguém apaixonado pelo esporte, toda vez que eu pisei num gramado dei tudo de mim”, afirmou ele ao anunciar sua aposentadoria, na quinta-feira.

“No final da minha carreira, é assim que olho para trás e espero que as pessoas me vejam.”

Há três anos, o então técnico da Inglaterra, Fabio Capello, considerou que Beckham, aos 35, estava “provavelmente um pouco velho demais” para jogos de seleção. Mas o meia não deu o braço a torcer. “Nunca vou me aposentar da seleção”, afirmou. “Se eu nunca mais for convocado ou se eu for convocado para mais um jogo ou para mais dez jogos, estarei disponível.”

Mesmo no ocaso da sua carreira, o anúncio da sua entrada em campo pelos alto-falantes de Wembley causava comoção. Foi assim no derradeiro jogo pela seleção, quando faltavam 32 minutos para o final do confronto contra Belarus pelas eliminatórias da Eurocopa-2010.

Mas a relação nem sempre foi harmoniosa.

Em 1998, ele foi vaiado em todo o país, e sua foto foi pendurada em postes, pelo crime de ter chutado Diego Simeone e sido expulso nas oitavas de final da Copa do Mundo, contra a Argentina - jogo em que a Inglaterra foi eliminada.

Tratado como vilão, ele manteve sua dignidade e voltou a dedicar suas energias ao futebol, no Manchester United. Um ano depois, estava ajudando o clube na notável conquista tríplice da Liga dos Campeões, do Campeonato Inglês e da Copa da Inglaterra.

Jogador versátil, foi excelente nos passes e na bola parada, mas destacou-se mesmo fazendo cruzamentos primorosos. Durante seis anos, foi capitão da seleção, e também o seu coração.

Para a Copa de 2002, iria se redimir do fiasco da França marcando o gol que selou a classificação inglesa para o torneio, e depois convertendo um pênalti que levou à eliminação da arquirrival Argentina ainda na fase de grupos da Copa. Mas, nas quartas-de-final, contribuiu com o gol crucial que deu a vaga ao Brasil na semifinal.

Outro momento doloroso foi ao errar uma cobrança na decisão por pênaltis das quartas-de-final da Europa-04, contra Portugal. Dois anos depois, foi visto chorando junto à linha de fundo depois da eliminação contra o mesmo adversário e na mesma fase, na Copa da Alemanha.

Abalado, ele abriu mão de ser capitão e foi posto na geladeira pelo novo técnico, Steve McClaren. Respondeu dizendo apenas que continuava disponível para a seleção.

Um ano depois, com Beckham ainda brilhando no Real Madrid, McClaren não teve opção senão convocá-lo de novo. Com as 115 convocações, tornou-se recordista entre jogadores de linha na seleção inglesa, superado apenas pelo goleiro Peter Shilton, com 125 presenças.

Uma ruptura no tendão o impediu de se despedir das Copas dentro de campo em 2010, mas ele esteve presente como uma espécie de mediador entre a comissão técnica e os jogadores.

A essa altura, ele já havia se transferido para o LA Galaxy, nos EUA, ignorando quem o chamava de mercenário. Com ele, o time norte-americano ganhou reconhecimento mundial e sucessivos títulos nacionais.

Beckham, no entanto, manteve um pé na Europa, e foi emprestado mais de uma vez para o Milan. No ano passado, trocou a Califórnia por Paris, onde também ajudou o St. Germain a ser campeão. Assim, tornou-se o primeiro inglês com títulos em quatro países - Inglaterra, Espanha, EUA e França.

A essa altura, é claro, sua fama e fortuna já haviam ido muito além do que poderia sonhar um menino de Londres que ambicionava jogar no United. O jovem esquentadinho e alvo de gozações se tornou um articulado cavalheiro com pose de estadista.

Mostrou-se tão confortável ao lado de líderes mundiais, participando da campanha para trazer a Olimpíada de 2012 para Londres, quanto chutando uma bola de meia com crianças pobres nas favelas da África do Sul.

No mês passado, ele foi apontado como o esportista mais rico da Grã-Bretanha. Sua mulher, a ex-pop-star Victoria, hoje estilista, também é uma celebridade com brilho próprio.

Mas o dinheiro e a fama nunca foram seu principal motor. Neste ano, depois de treinar no Arsenal para manter a forma após deixar o LA Galaxy, o treinador Arsene Wenger resumiu assim o jogador: “Esse cara tem uma qualidade fantástica e fez o máximo na sua carreira. Por quê? Porque ama o futebol.”

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