11 de Junho de 2013 / às 19:05 / 5 anos atrás

ANÁLISE-Em construção, seleção só deve ficar pronta para Copa do Mundo

Por Pedro Fonseca

O francês Mathieu Debuchy (direita) disputa a bola com o brasileiro Neymer durante amistoso internacional em Porto Alegre. A vitória contra a França deu à seleção brasileira um ganho moral para disputar a Copa das Confederações, mas as diversas substituições e mudanças táticas realizadas ao longo da partida mostram que o Brasil ainda está longe de ter um time definido, o que só deve acontecer para a Copa do Mundo de 2014. 9/06/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO, 11 Jun (Reuters) - A vitória contra a França deu à seleção brasileira um ganho moral para disputar a Copa das Confederações, mas as diversas substituições e mudanças táticas realizadas ao longo da partida mostram que o Brasil ainda está longe de ter um time definido, o que só deve acontecer para a Copa do Mundo de 2014.

Ainda que tenha uma importância infinitamente inferior ao Mundial, a Copa das Confederações, que começa no sábado com o jogo Brasil x Japão, é vista pela torcida como um teste para a seleção brasileira antes do enorme desafio que será voltar a jogar uma Copa do Mundo em casa pela primeira vez desde a tragédia de 1950.

A equipe do técnico Luiz Felipe Scolari, no entanto, ainda não estará pronta no torneio de 15 dias que reúne oito seleções, incluindo os campeões mundiais Uruguai, Espanha e Itália, de acordo com ex-integrantes da seleção em Copas do Mundo ouvidos pela Reuters.

“A seleção brasileira já deveria ter desde o último campeonato mundial preparado uma seleção para 2014, é o que nós não temos”, disse Jairzinho, artilheiro da seleção brasileira campeã do mundo em 1970, um time considerado um dos melhores do mundo em todos os tempos.

Depois de uma única vitória nos seis primeiros jogos de Felipão no comando, contra a fraca Bolívia, a seleção brasileira finalmente conseguiu um bom resultado contra os franceses, no domingo, em Porto Alegre. Diante de uma França desfalcada e longe de ser aquele time que tinha em campo o craque Zinedine Zidane, o Brasil foi bem especialmente após as mudanças realizadas pelo treinador no 2o tempo.

O próprio Felipão reconheceu após o jogo que o time ainda não está pronto, mas críticos temem que ele não consiga arrumar a casa a tempo para o torneio preparatório para o Mundial, o que poderia aumentar a pressão sobre o treinador.

Uma eventual nova derrota em casa numa competição oficial, como na Copa do Mundo de 1950, poderia marcar toda a caminhada da seleção até o Mundial do ano que vem.

“Estamos vivendo essa inquietude e esse desequilíbrio que nos preocupa para 2014. Espero que agora na Copa das Confederações o Felipão tenha a visão e a sorte de encontrar a verdadeira seleção para que o Brasil recupere o seu prestígio”, acrescentou Jairzinho.

A principal indefinição sobre a formação da equipe está no meio-campo. Nos dois amistosos disputados este mês (2 x 2 contra a Inglaterra e 3 x 0 contra a França), o treinador repetiu a formação inicial com Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar, com Hulk, Neymar e Fred no ataque.

No entanto, os melhores momento da seleção brasileira aconteceram quando Hernanes e Lucas entraram em campo, tornando o time mais ofensivo.

O técnico argumenta que procura um equilíbrio entre buscar o gol e não deixar o time exposto na defesa, e fez experiências nesse sentido contra os franceses. O Brasil terminou a partida com três zagueiros, com David Luiz jogando de volante, uma alternativa que pode ser adotada durante o torneio.

NEYMAR: “SEMPRE SE ESPERA MAIS”

A essas indefinições soma-se a situação do craque do time, Neymar. Recentemente contratado pelo Barcelona, o jogador de 21 anos carrega a responsabilidade de ser o novo camisa 10 da seleção brasileira, mas tem um histórico de problemas contra defesas mais duras.

Mesmo na vitória contra os franceses, Neymar foi um dos piores em campo e ouviu algumas vaias da torcida ao ser substituído no segundo tempo. No empate por 2 x 2 com a Inglaterra no Maracanã, no inicio do mês, aconteceu o contrário. Neymar jogou bem, especialmente no primeiro tempo, mas o Brasil precisou de um gol de Paulinho aos 36 minutos do segundo tempo para evitar a derrota.

A explicação pode estar no posicionamento do jogador. Contra a Inglaterra, jogou mais centralizado, e contra os franceses, ficou mais preso pelo lado do campo.

Segundo Zico, Neymar deveria ser mantido no flanco esquerdo, deixando a posição por dentro para Oscar. O meia do Chelsea foi justamente um dos melhores em campo em Porto Alegre atuando dessa forma, e pode ser um dos destaques do time na Copa das Confederações.

Zico também defendeu as entradas de Hernanes e Lucas no time titular.

“Gostei mais do time do segundo tempo (contra a França), principalmente com as entradas do Hernanes e do Lucas. Eles dão mais consistência e qualidade ao time”, disse o ex-camisa 10 do Brasil.

“Do Neymar sempre se espera mais, mas ele está fazendo o trabalho dele e acredito que ele tem futebol para fazer o que todo mundo espera. Agora, ele tem que jogar pelo lado esquerdo, que é onde está mais acostumado e pode ser mais perigoso.”

SEMELHANÇA COM 2002

A vitória contra a França aliviou a pressão sobre a equipe para a Copa das Confederações, mas ainda não serviu para tirar a seleção brasileira de um dos momentos mais delicados de sua história.

A equipe ocupa atualmente sua pior colocação de todos os tempos no ranking da Fifa, em 22º lugar, e ficou quase três anos e meio sem vencer uma seleção campeã mundial até derrotar os franceses em Porto Alegre.

Nas duas últimas competições, dois fracassos: eliminação para o Paraguai nas quartas de final da Copa América de 2011 e derrota para o México na final da Olimpíada de Londres-2012.

Desde que voltou à seleção no final do ano passado no lugar de Mano Menezes, Felipão sempre se defendeu das críticas pela falta de vitórias alegando não ter tempo para treinar a equipe e implantar seu estilo. Para a disputa da Copa das Confederações, o treinador terá o time à disposição por mais de 30 dias.

Ao menos em termos de tempo, a situação é melhor do que quando assumiu o time em 2001, justamente após campanha ruim do Brasil numa Copa das Confederações, e conduziu o Brasil ao pentacampeonato mundial na Ásia no ano seguinte.

Antes daquele Mundial, ele também disputou uma competição sem ter o time montado e foi eliminado por Honduras na Copa América de 2001.

Quem conhece o treinador de perto garante que Felipão vai fazer um trabalho a longo prazo de sucesso para o Mundial de 2014, ainda que para isso o time não esteja no ponto este mês.

“Precisa de tempo”, disse o técnico Antônio Lopes, que trabalhou ao lado de Felipão como coordenador na campanha de 2002. “Agora na Copa das Confederações ainda não vai estar jogando como a torcida espera, mas com certeza para o Mundial o time estará bem mais maduro”, disse.

“Quando ele pegou antes de 2002 foi a mesma coisa. Ele assumiu no meio das eliminatórias, faltava pouco tempo para a Copa do Mundo. Pela experiência do Felipe e da comissão técnica, acho que vai dar perfeitamente para o Brasil ter sucesso, principalmente na Copa do Mundo.”

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