5 de Janeiro de 2014 / às 15:47 / em 4 anos

PERFIL- Morre Eusébio, lenda de futebol do Portugal e do Benfica

Por Daniel Alvarenga

As lendas do futebol Pelé e Eusébio seguram uma camisa autografada da seleção brasileira ao lado do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, antes de amistoso entre Brasil e Portugal em Foxborough, no Estado de Massachussets, EUA. O lendário atacante português Eusébio morreu após uma parada cardiorrespiratória neste domingo em Lisboa, aos 71 anos, deixando um legado que o coloca entre os maiores nomes da história do futebol mundial. 10/09/2013.

LISBOA, 5 Jan (Reuters) - O lendário atacante português Eusébio morreu após uma parada cardiorrespiratória neste domingo em Lisboa, aos 71 anos, deixando um legado que o coloca entre os maiores nomes da história do futebol mundial.

Nascido na capital do Moçambique, Maputo, em 25 de janeiro de 1942, Eusébio da Silva Ferreira alcançou os holofotes do mundo todo ao brilhar na Copa do Mundo de 1996 na Inglaterra, e consolidou sua reputação ao longo da década seguinte ao mostrar um talento sem-igual que combinava velocidade, porte atlético, técnica apurada e um feroz chute com a perna direita.

Eusébio começou cedo jogando futebol descalço nos campos de terra de Maputo, antes de vestir as chuteiras e se juntar ao Benfica, um dos maiores clubes de Portugal. Ele ajudou seu time a chegar à quatro finais de Copa dos Campeões da Europa, a última em 1968, quando o Benfica acabou derrotado pelo Manchester United na prorrogação em Wembley. Com seu talento, a equipe portuguesa venceu as edições de 1961 e 1962.

Apelidado de “Pantera Negra” pelo medo que ele instigava em seus adversários, Eusébio foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1966, marcando nove gols que foram fundamentais para levar Portugal às semifinais.

Seu desempenho em terras portuguesas ainda fez com que o Benfica conquistasse 11 títulos nacionais.

Em um de seus momentos mais marcantes, Eusébio fez com que sua equipe superasse o poderoso Real Madrid na emocionante final da copa europeia de 1962, na vitória por 5 x 3.

A atuação fez até mesmo com que Alfredo Di Stefano, a estrela do Real Madrid, humildemente entregasse sua camisa a Eusébio após o apito final, em um gesto que envaideceu duplamente o craque português, que acabara de superar o ídolo em campo e ainda recebera das mãos dele uma verdadeira relíquia do futebol.

“O rei” ainda foi carregado nos ombros dos torcedores do Benfica naquela noite, em imagem simbólica que ficou gravada nos livros do Benfica e de Portugal, e sempre é exibida à exaustão nos programas das televisões locais desde então.

Em 1963, o Benfica chegou à terceira final de Copa Europeia seguida, mas acabaram perdendo para o Milan por 2 x 1. Dois anos depois, nova final e derrota para outro time de Milão, a Internazionale.

No cenário doméstico, o Benfica de Eusébio dominava, com três tricampeonatos em três ocasiões diferentes durante os 15 anos da “Pantera Negra” no clube.

Já na seleção portuguesa, o grande momento foi em 1966, na Copa do Mundo da Inglaterra.

Depois de passar fácil por Hungria e Bulgária, Portugal terminou a fase de grupos com uma vitória consistente por 3 x 1 sobre os atuais campeões do mundo, o Brasil, em partida na qual Eusébio fez dois gols e ofuscou Pelé.

Nas quartas-de-final, o craque foi a força inspiradora que permitiu que Portugal virasse sobre a surpreendente Coreia do Norte. Os azarões abriram 3 x 0 em Liverpool, mas Eusébio, praticamente sozinho, colocou os portugueses novamente na luta e, com quatro gols, classificou a seleção com o placar de 5 x 3.

A jornada incrível da estrela portuguesa chegaria a um fim nas semifinais, quando a seleção de seu país não seria párea para os donos da casa. A Inglaterra, que se sobressaía com maior preparo físico e com a qualidade de Bobby Charlton, autor de dois gols na vitória inglesa por 2 x 1, deixando Eusébio inconsolável ao final da partida disputada no estádio de Wembley.

Portugal terminou aquela Copa em terceiro, mas Eusébio acabou laureado com o prêmio de grande craque e artilheiro da competição, com nove gols. Foi a única Copa do Mundo que ele disputou, além de ter sido convocado 64 vezes para a seleção portuguesa e marcado 41 gols em jogos entre seleções.

Sua última partida pelo Benfica aconteceu em 1975, e depois ele seguiu para os Estados Unidos, onde jogou em clubes menores, e também em Portugal, onde encerrou sua vitoriosa carreira em 1979.

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