25 de Março de 2014 / às 18:38 / em 4 anos

Reformistas da Fifa impedem plano para deter investigação de corrupção

Por Mike Collett

LONDRES, 25 Mar (Reuters) - O auto-proclamado processo transparente de reforma da Fifa, comandado pelo advogado nova-iorquino Michael Garcia, esteve a poucas horas de ser sabotado dentro da organização na semana passada, segundo apurou a Reuters.

A posição do próprio Garcia e seu papel como chefe da Comissão Independente de Ética na investigação da suposta corrupção nos procedimentos de votação para as Copas do Mundo de 2018 e 2022, além da eleição presidencial de 2011, estiveram ameaçados por várias figuras influentes do alto escalão da Fifa.

Membros do comitê executivo da entidade disseram à Reuters que reveriam sua posição caso a investigação conduzida por Garcia fosse interrompida antes de ele terminar seu trabalho.

Vários membros afeitos às reformas confirmaram que detiveram o plano antes mesmo de ser discutido na sessão plena depois de serem abordados nos corredores, entre as sessões de reuniões do comitê executivo na sede da Fifa, em Zurique, na quinta e na sexta-feira passadas.

Quase exatamente no mesmo momento, Garcia estava na cidade suíça levando adiante investigações sobre os mecanismos de funcionamento da Fifa.

Não há qualquer indicação de que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, tenha desempenhado algum papel no plano para deter o que foi saudado por muitos como o novo e “transparente” processo de reforma da organização.

A Reuters soube de fontes ligadas ao tema que o plano não somente envolveu a retirada de Garcia de seu cargo como investigador-chefe da suposta corrupção na Fifa, mas também do esporte em escala global.

Quando solicitado a comentar o suposto complô para encerrar a investigação, o britânico vice-presidente da Fifa, Jim Boyce, disse à Reuters que, no que lhe diz respeito, teria que rever sua posição se qualquer tentativa de frear a investigação fosse bem sucedida.

Boyce, irlandês de 70 anos que também encabeça o comitê de arbitragem da Fifa e entregará este último cargo em 15 meses, disse: “Houve alguma conversa informal sobre a possibilidade de que algumas pessoas queiram ver Garcia retirado da investigação e que o tema poderia ser abordado na reunião do comitê executivo, mas não foi”.

“Como alguém que foi criado com honestidade e integridade - e foi uma grande honra para mim ser convidado a ser vice-presidente - se isso tivesse sido proposto na reunião, ou se eu pensasse por um momento que Garcia seria impedido de alguma maneira de conduzir uma investigação completa, eu e outros ficaríamos pasmos, e teríamos que rever nossas posições, porque as coisas vêm melhorando enormemente na Fifa”.

A Fifa não respondeu a pedidos de declaração, e um porta-voz do escritório de Garcia em Nova York emitiu um “sem comentário” como reação a um pedido para esclarecer se Garcia estava a par dos planos para encerrar seu papel.

Na semana passada, foi relatado que Garcia conversou com alguns dos 13 membros do comitê executivo ainda ativos e que participaram da votação para os Mundiais de 2018 e 2022.

A Copa de 2018 foi concedida à Rússia, e o torneio de 2022 ao Catar, ambos no dia 2 de dezembro de 2010, em Zurique, e uma fonte de alto escalão da Fifa disse à Reuters: “Até hoje não entendi por que houve uma votação dupla. Continua não fazendo sentido para mim”.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below