7 de Maio de 2008 / às 00:19 / em 10 anos

Chile retira moradores após erupção de vulcão Chaitén

Por Antonio de la Jara

PUERTO MONTT, Chile (Reuters) - O vulcão Chaitén começou a expelir lavas na terça-feira, na sua primeira erupção em milênios, o que obriga a Marinha do Chile a retirar milhares de pessoas de uma região da Patagônia.

O Chaitén entrou em atividade na sexta-feira, inicialmente liberando jatos de cinzas que cobriram toda a área e chegou à vizinha Argentina.

O Departamento Nacional de Emergências (DNE) disse que o vulcão estava expelindo pedaços de rochas incandescentes na terça-feira, e que os civis e militares que ainda estavam na área estavam sendo retirados de barco, através de um fiorde. Entretanto, ainda não foi visto um fluxo de lava na encosta do vulcão, que tem mil metros de altura. A TV local informou que a montanha emite um ronco surdo.

A coluna de cinzas é claramente visível a partir de Puerto Montt, para onde muitos desabrigados foram levados.

“A situação mudou de repente”, disse Rodrigo Rojas, funcionário do DNE, a jornalistas. “Hoje o vulcão está em erupção com material piroclástico [fragmentação resultante da ação vulcânica] numa escala diferente. Determinamos a imediata retirada por precaução de todos os civis, militares e da imprensa de Chaitén.”

O governo diz que a ordem de desocupação vale num raio de 30 quilômetros em torno do Chaitén, que fica cerca de 1.220 quilômetros ao sul de Santiago. Cerca de 25 pessoas foram retiradas à força, pois se recusavam a abandonar seus animais e casas.

Cerca de 4.200 pessoas -- quase toda a população -- já haviam sido retiradas da localidade de Chaitén, que fica a dez quilômetros de vulcão homônimo.

Luis Lara, geólogo do governo, disse não prever uma explosão catastrófica, e sim uma nuvem de material muito quente e denso que deve cobrir a região. “Isso produz um cenário mais complicado. Uma densa nuvem de material piroclástico pode escorrer pelas encostas, e isso causa muito mais dano [do que um jato de lava]. A lava quente não chegaria a Chaitén, mas os fragmentos quentes, a cinza e o gás podem [chegar].”

Outra pequena cidade, Futaleufu, também está coberta de cinza e sendo desocupada. Parte dos mil moradores foi para a vizinha Argentina, onde também há transtornos -- aulas suspensas, vôos cancelados e muita cinza nas ruas. O governo argentino, porém, orientou os moradores apenas a ficarem em casa, sem necessidade de fugir.

“É uma situação horrível. Às vezes fica tudo escuro e não pára de chover cinza”, disse Cecilia Rimoldi, que vive na localidade turística argentina de El Bolsón.

Em alguns lugares perto de Chaitén, a capa de cinza tem 15 centímetros de espessura, cobrindo casas, veículos e árvores, e contaminando mananciais. Milhares de cabeças de gado também estão sendo retiradas.

O Chile tem a segunda maior rede mundial de vulcões, atrás apenas da Indonésia. Há no país cerca de 2.000 vulcões, dos quais cerca de 500 potencialmente ativos, segundo especialistas. Nos últimos 450 anos, cerca de 60 deles entraram em erupção.

Reportagem adicional de Monica Vargas, Manuel Farias e Juana Casas em Santiago e Jorge Otaola e Walter Bianchi em Buenos Aires

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