May 23, 2014 / 9:14 PM / in 4 years

Exército tailândes detém ex-premiê um dia após golpe militar

BANGCOC (Reuters) - Os militares da Tailândia detiveram a ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra nesta sexta-feira, informou uma autoridade de alto escalão, depois de intimá-la um dia depois de o Exército dar um golpe contra o seu governo interino.

Integrante do movimento pró-governo "camisa vermelha" passa por uma imagem da primeira-ministra deposta Yingluck Shinawatra durante uma manifestação nos arredores de Bangcoc, na Tailândia, na semana passada. 11/05/2014 REUTERS/Chaiwat Subprasom

Enquanto o Exército se movimenta para consolidar o seu controle sobre o país, o general Prayuth Chan-ocha estabeleceu seus planos para a Tailândia, dizendo que reformas são necessárias antes de uma eleição. Mas alguns tailandeses desafiaram a lei marcial para protestar contra a tomada de poder.

Prayuth desencadeou o golpe depois que grupos rivais se recusaram a ceder em uma disputa de poder entre os monarquistas e o governo populista de Yingluck, o que despertou temores de episódios graves de violência e de danos à economia.

“Detivemos Yingluck, sua irmã e seu cunhado”, declarou um militar de alta patente à Reuters. Os dois parentes tinham cargos políticos importantes.

“Isso não irá durar mais que uma semana, seria tempo demais. Só precisamos organizar as coisas no país primeiro”, afirmou o militar, que se recusou a se identificar.

Ele tampouco quis dizer onde Yingluck está detida, mas a mídia diz que ela estava em uma base do Exército na província de Saraburi, ao norte de Bangcoc. Soldados prenderam políticos dos dois grupos principais na quinta-feira depois que Prayuth anunciou o golpe militar, que logo atraiu críticas de todo o mundo.

No que pareceu uma operação coordenada para neutralizar uma possível oposição ao golpe, os militares convocaram a recém-deposta Yingluck para uma reunião e depois a proibiram de deixar o país, assim como 154 outros pessoas, incluindo políticos e ativistas.

Yingluck é irmã de Thaksin Shinawatra, magnata bilionário das telecomunicações que se tornou premiê e conquistou grande apoio dos pobres da Tailândia, mas também o ódio dos monarquistas, principalmente por conta das acusações de corrupção e nepotismo. Ele foi deposto por um golpe militar em 2006.

Atendendo à convocação, Yingluck chegou à instalação militar ao meio-dia local junto a outros políticos. Prayuth estava no mesmo local na ocasião, mas não foi confirmado se os dois se encontraram.

Após a saída de Prayuth, nove veículos com vidros escurecidos foram vistos partindo do local, mas não ficou claro se Yingluck estava em uma delas ou aonde iam.

Um assistente de um ministro do governo deposto que se recusou a se identificar disse que algumas pessoas, incluindo seu ministro, foram detidas. Um ex-assessor de Yingluck declarou que durante horas foi impossível falar com ela por telefone.

Prayuth também intimou centenas de funcionários públicos e disse que precisava da ajuda deles.

“Precisamos ter reformas econômicas, sociais e políticas antes das eleições. Se a situação for pacífica, estamos dispostos a devolver o poder ao povo”, declarou.

Os militares censuraram a mídia, dispersaram manifestantes oposicionistas e impuseram um toque de recolher das 22h às 5h.

As Forças Armadas tailandesas têm um longo histórico de intervenções na política – houve 18 tentativas de golpes de Estado, alguns deles bem-sucedidos, desde que o país se tornou uma monarquia constitucionalista em 1932, o mais recente em 2006, quando Thaksin foi deposto.

Reportagem adicional de Apornrath Phoonphongphiphat e de Aukkarapon Niyomyat

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