June 23, 2014 / 3:03 PM / 4 years ago

Kerry promete apoio "intenso e duradouro" ao Iraque

BAGDÁ (Reuters) - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, prometeu nesta segunda-feira apoio “intenso e duradouro” dos Estados Unidos ao Iraque, mas disse que o país dividido só irá sobreviver se os seus líderes adotarem medidas urgentes para uni-lo.

Primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, reúnem-se em Bagdá. 23/06/2014. REUTERS/Brendan Smialowski/Pool

Horas antes de Kerry chegar a Bagdá, tribos sunitas que se juntaram aos militantes que ocuparam cidades do norte iraquiano tomaram o único posto de fronteira legal com a Jordânia, disseram fontes de segurança, deixando sem tropas toda a divisa oeste do país, que inclui algumas das rotas comerciais mais importantes do Oriente Médio.

O presidente dos EUA, Barack Obama, ofereceu até 300 conselheiros norte-americanos para o Iraque, mas não aceitou o pedido do governo xiita do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, de ataques aéreos para conter o avanço dos militantes sunitas que já dura duas semanas.

Enquanto isso, as autoridades pediram que os iraquianos formem um governo inclusivo. A insurgência vem sendo alimentada em grande parte pela marginalização e perseguição dos sunitas iraquianos.

“O apoio será intenso e duradouro, e se os líderes do Iraque adotarem as medidas necessárias para unir o país, será eficaz”, disse Kerry a repórteres em Bagdá.

Ele declarou que Maliki “afirmou o seu comprometimento com o 1º de julho em várias ocasiões” como a data para começar a formação de um novo gabinete compartilhando mais poder com sunitas e curdos, gesto que Washington está ansioso para ver.

Fontes de segurança iraquianas e jordanianas disseram que líderes tribais estão negociando para ceder o posto de fronteira no deserto de Turabil aos islâmicos sunitas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), que tomaram dois postos de acesso à Síria nos últimos dias e empurraram as forças do governo de volta à capital Bagdá.

A televisão estatal do Iraque informou na noite desta segunda-feira, no horário local, que o Exército retomou os postos de fronteira com a Jordânia e a Síria. A Reuters não conseguiu confirmar os relatos de forma independente devido às restrições de segurança.

Forças étnicas curdas controlam um terceiro posto na divisa com a Síria, no norte. Com isso, não há tropas do governo presentes ao longo da fronteira oeste do Iraque, que tem 800 quilômetros.

Para os insurgentes, capturar a fronteira é um passo significativo rumo ao seu objetivo de apagar por completo as linhas divisórias modernas e erguer um califado em áreas da Síria e do Iraque.

Kerry disse: “O Iraque enfrenta uma ameaça existencial e os líderes do Iraque têm que vencer essa ameaça com a incrível urgência que a situação exige. O próprio futuro do Iraque depende das escolhas que serão feitas nos próximos dias e semanas.”

Washington teme que Maliki e seus aliados xiitas tenham agravado a insurgência alienando sunitas moderados que outrora combateram a Al Qaeda, mas que agora se uniram ao Isil.

Embora os EUA tenham tomado o cuidado de não declarar publicamente querer a saída de Maliki, autoridades iraquianas disseram que essa mensagem foi dada nos bastidores.

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