August 1, 2014 / 9:30 PM / 4 years ago

Em busca da reeleição, Dilma não tem porta-vozes na campanha e concentra respostas no governo

BRASÍLIA (Reuters) - Se o time de campanha da reeleição de Dilma Rousseff for comparado com o de 2010, é possível dizer que quatro anos atrás ela estava cercada de jogadores experientes com posições bem definidas e que a equipe atual tem apenas uma estrela, a própria presidente, e jogadores menos conhecidos atuando apenas nos bastidores.

Presidente Dilma Rousseff em cerimônia em 31 de julho de 2014. REUTERS/Ueslei Marcelino

Em 2010, havia uma coordenação formada pelo triunvirato Antonio Palocci (então ex-ministro da Fazenda e que viria a assumir a Casa Civil no início do governo Dilma), José Eduardo Dutra (então presidente nacional do PT) e José Eduardo Cardozo (atual ministro da Justiça), além da própria Dilma e do capitão do time, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Agora, formalmente só falam pela campanha o presidente do PT e coordenador-geral da campanha, Rui Falcão, e a própria Dilma.

A principal justificativa para essa mudança é que hoje Dilma é a presidente da República, e não mais apenas candidata a presidente.

“É outra condição agora”, disse à Reuters a ministra da Cultura, Marta Suplicy, referindo-se justamente ao fato de Dilma ser a atual mandatária.

Estrategistas da campanha de Dilma argumentam também que poderia haver conflitos de opiniões com integrantes do governo se a campanha tivesse porta-vozes e, portanto, crises desnecessárias ao longo da corrida eleitoral.

Ministros, que não podem integrar formalmente os quadros da campanha, têm sido escalados para defender as ações do governo. Mas não se espera que eles apontem para o que pode acontecer num eventual segundo mandato de Dilma.

Nas últimas semanas, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, participaram de debates de infraestrutura e macroeconomia na TV.

Em entrevista à Reuters nesta semana, Falcão disse que a porta-voz da campanha para falar de economia é a própria presidente e não há intenção de nomear nenhum expoente do partido para a tarefa. Em 2010, Palocci tinha esse papel.

Nem mesmo com uma situação de baixo crescimento da economia, investimentos em queda e inflação alta, Falcão vê necessidade de ter porta-vozes para essa frente. “Os caras dizem que isso (a designação de porta-vozes para a economia na campanha) pode ser uma vantagem, que pode inspirar a confiança do mercado... O mercado é uma parte da sociedade, mas a maioria da sociedade não é o mercado”, disse ele.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho que deixou o cargo em meio a denúncias de irregularidades e que agora integra o conselho político da aliança, avalia que “o porta-voz de uma campanha sempre é o candidato e o representante institucional do partido que ele pertence”.

“Está correto ter a Dilma e o Rui como as figuras que falam pela campanha”, disse, acrescentando que os presidentes dos partidos da aliança também têm voz na coligação e podem falar pela campanha.

RESGUARDO

Para alguns integrantes do comitê de campanha da Dilma, porém, a situação pode trazer alguns riscos, já que a presidente fica sem resguardo no caso de polêmicas na disputa que podem envolver o governo.

“Era importante ter mais gente para falar, além dela e do Rui, para ter um anteparo, um filtro, e não envolver o governo em polêmicas toda hora”, disse à Reuters um membro do comitê, sob condição de anonimato.

Antes da montagem do comitê se discutiu a possibilidade de o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deixar o governo para se tornar um desses porta-vozes, mas isso acabou não ocorrendo por uma decisão da própria presidente. “Ela quis isolar ao máximo as estruturas”, disse uma fonte do governo, que também pediu para não ser identificada.

Um petista ligado à campanha avaliou que apesar da condição de presidente, Dilma poderia ter indicado mais porta-vozes para responder aos ataques da oposição e fazer os adversários gastarem energia também.

Um dos estrategistas da campanha mais próximos de Dilma ouvidos pela Reuters disse que “ela não precisa de porta-vozes” por ser a presidente. Ainda assim, segundo essa fonte, em caso de necessidade “o que não falta é gente” para ser escalada para falar sobre algum tema específico. “Isso não nos preocupa”, afirmou o estrategista.

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