September 18, 2014 / 11:29 PM / 4 years ago

Escoceses encerram votação que definirá futuro do Reino Unido

EDIMBURGO (Reuters) - A Escócia votou sobre a possibilidade de ficar no Reino Unido ou quebrar os 307 anos de união em um referendo sobre sua independência muito equilibrado, que pode ter consequências globais.

Escoceses se reúnem na praça George em Glasgow nesta quinta-feira. REUTERS/Paul Hackett

O resultado sairá somente na manhã de sexta-feira, mas uma pesquisa YouGov com 1.828 eleitores que já haviam respondido outras pesquisas mostrou que 54 por cento dos escoceses apoiavam a união, enquanto 46 por cento eram a favor da independência.

“Essa pesquisa Yougov indica que a união prevaleceu”, disse o gerente de pesquisa do YouGov, Laurence Janta-Lipinski, à Reuters. “Parece que a união vai permanecer intacta por enquanto.”

As urnas foram fechadas às 18h (horário de Brasília) desde as terras altas e ilhas remotas até as áreas mais densas, como na cidade de Glasgow, com pesquisas sugerindo que escoceses estavam praticamente divididos em uma votação acompanhada de perto por aliados britânicos, investidores e outras regiões no exterior e no país.

As pesquisas de opinião recentes deram à campanha do “não” — que é a favor de permanecer no Reino Unido — uma ligeira vantagem. Mas a definição fica com as até 600 mil pessoas indecisas até o último momento.

A pesquisa final do site apartidário “What Scotland Thinks” (O que a Escócia pensa), mostrou a campanha do Não com 52 por cento, e a do Sim com 48 por cento. Essa pesquisa nunca deu a campanha pela independência na liderança, apesar de uma redução acentuada da diferença nas últimas semanas.

Os mercados financeiros apresentaram uma série de apostas finais de que os escoceses rejeitariam a independência, levando a uma alta da libra e das ações escocesas nas últimas horas de votação.

Analistas dizem que isso significa que haverá uma reação do mercado muito mais dramática a uma decisão pelo “Sim” do que se a Escócia optar por permanecer parte do Reino Unido.

O presidente francês, François Hollande, disse que a votação seria decisiva para a Europa, bem como a Grã-Bretanha. “Após meio século de construção da Europa, corremos o risco de entrar num período de desconstrução”, disse ele na quinta-feira.

Os partidários da independência dizem que tais temores são exagerados. Eles veem um futuro brilhante para uma Escócia independente na Europa, uma sociedade mais justa e fortes laços com Londres.

Os que se opõem dizem que uma divisão retardaria o crescimento econômico, reduziria a posição internacional do Reino Unido, ameaçaria a unidade de outros países e faria pender a balança em favor de pessoas que querem que a Grã-Bretanha saia da União Europeia.

Muitas pessoas veem a escolha, que dividiu famílias e amigos, mas também agitou o país de 5,3 milhões, como um embate entre a razão e o coração.

O tenista Andy Murray enviou uma mensagem poderosa de última hora em apoio ao pró-independência voto do “Sim”, twittando “Vamos fazer isso”.

Alex Salmond, líder nacionalista de 59 anos de idade, disse a centenas de simpatizantes em Perth em um comício final: “Esta é a oportunidade de uma vida e devemos agarrá-la com as duas mãos.”

Salmond disse que a rainha Elizabeth deve ficar como rainha da Escócia. Ela manteve-se acima da disputa, de acordo com a Constituição, mas disse no domingo esperar que os escoceses escolhessem “cuidadosamente”.

Autoridades eleitorais disseram que o resultado será anunciado em torno do nascer do sol na sexta-feira, quando todos os votos regionais forem contabilizados. Mas os resultados parciais darão uma forte indicação após a contagem de cidades como Glasgow, que será declarada por volta da 1h (horário de Brasília).

Com mais de 486 mil eleitores, Glasgow é crucial. Edimburgo e Aberdeen, que com Glasgow compõem cerca de um quarto do eleitorado, também devem divulgar parciais em torno desta mesma hora.

Alguns operadores de câmbio em Londres estão preparados para ficarem acordados a noite toda para comprar ou vender a libra em função do resultado.

O QUE RESTARIA?

A perspectiva de dividir o Reino Unido, sexta maior economia do mundo e membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, fez com que os cidadãos e aliados em comum questionassem o que seria deixado, enquanto os investidores de Londres têm alertado para turbulência do mercado.

Os políticos britânicos, bancos e empresários têm alternado turnos para alertar sobre as dificuldades econômicas, perdas de emprego e fuga de investimentos se escoceses decidirem se separar.

A defesa também seria uma grande questão. O arsenal nuclear à base de submarinos da Grã-Bretanha, parte das defesas da Otan, é baseado no Firth of Clyde, na Escócia, e os nacionalistas querem que ele saia.

Os Estados Unidos deixaram claro que querem que o Reino Unido, seu principal aliado na Europa, permaneça intacto.

“O Reino Unido é um parceiro extraordinário para a América e uma força sempre em um mundo instável. Espero que ele permaneça forte, robusto e unido”, disse o presidente dos EUA, Barack Obama.

Enfrentando a maior ameaça interna ao Reino Unido desde que a Irlanda se separou há quase um século, o primeiro-ministro David Cameron, inevitavelmente, enfrentará pedidos para sua saída se a Escócia sair.

Cameron, de 47 anos, admitiu que seu passado de inglês privilegiado e de política conservadora significam que ele não é a melhor pessoa para conquistar os escoceses, embora ele tenha feito apelos emocionais para a Escócia ficar na “família de nações” da Grã-Bretanha.

Isso deixou a liderança do caso unionista ao partido de oposição, Partido Trabalhista, o único com o apoio local capaz de compensar o separatista Partido Nacional Escocês.

O ex-primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown, um escocês que nos últimos dias liderou a defesa pela união, alertou escoceses na quarta-feira que Salmond está “nos levando para uma armadilha”.

Reportagem adicional de Alistair Smout em Edimburgo

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