September 21, 2014 / 2:38 PM / 4 years ago

Em viagem a Albânia de maioria muçulmana, papa condena militantes islâmicos

Por Benet Koleka e Philip Pullella

TIRANA Albânia (Reuters) - O papa Francisco, em sua mais vigorosa crítica aos militantes islâmicos até agora, disse neste domingo que nenhum grupo religioso que use a violência e a opressão pode alegar ser “a armadura de Deus”.

As declarações foram feitas durante a visita de um dia de Francisco à Albânia, um país das Balcãs empobrecido, saudado pelo pontífice como um modelo de harmonia inter-religiosa graças às boas relações existentes entre a maioria muçulmana e outras denominações cristãs. 

“Que ninguém se considere a ‘armadura’ de Deus enquanto planeja e executa atos de violência e opressão”, disse ele no palácio presidencial em Tirana, em resposta a um discurso do presidente albanês Bujar Nishani, que é muçulmano.

“Que ninguém use a religião como pretexto para ações contra a dignidade humana e contra os direitos fundamentais de cada homem e mulher, acima de tudo, o direito à vida e o direito de todos à liberdade religiosa”, disse ele.

Francisco, em sua primeira viagem como papa a um país europeu que não a Itália, não fez referência direta aos militantes do Estado Islâmico que tomaram territórios da Síria e do Iraque, mas ficou claro que ele se referia a eventos no Oriente Médio.

Cerca de 70 mil curdos sírios fugiram para a Turquia desde sexta-feira, uma vez que militantes do Estado Islâmico tomaram o controle de dezenas de vilas próximas à fronteira. Um político curdo da Turquia afirmou ter sido informado por moradores que os militantes estavam decapitando pessoas, em sua passagem de vila em vila.

O Estado Islâmico declarou um “califado” nos territórios que controla e matou ou expulsou um grande número de cristãos, muçulmanos xiitas e outros que não aceitam a sua versão radical do islamismo sunita. 

Questionado especificamente sobre o Estado Islâmico no mês passado, quando retornava de uma viagem à Coreia do Sul, o papa Francisco endossou a ação da comunidade internacional para acabar com a “agressão injusta”. 

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