January 22, 2015 / 10:39 AM / in 3 years

Venezuela vai aumentar gasolina e reorganizar sistema de câmbio para aumentar receitas

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que vai aumentar este ano o preço da gasolina e reorganizar o sistema de taxas de câmbio, em busca de fortalecer as receitas cada vez menores do país, afetadas pela queda acentuada no valor do petróleo.

Maduro discursa na Assembleia Nacional, em Caracas. 21/01/2015 REUTERS/Jorge Silva

Em seu pronunciamento anual à Assembleia Legislativa, Maduro disse, na quarta-feira à noite, que “chegou o momento” de aumentar o peço da gasolina, a mais barata do mundo, cujo custeio consome cerca de 12,5 bilhões de dólares por ano em subsídios.

A Venezuela está enfrentando uma crise econômica, com o país em recessão e níveis de preços próximos da hiperinflação, em meio à queda, nos últimos quatro meses, de mais de 50 por cento nos preços internacionais do petróleo, a maior fonte de divisas do país.

“É claro que a receita faz falta..., o que eu estou dizendo é que não há desespero”, disse Maduro, sob aplausos do Congresso. “Será feito este ano, sem pressa, mas será feito.”

O presidente já havia rejeitado várias vezes a ideia de aumentar o preço da gasolina por ser uma questão muito sensível para os venezuelanos, que ainda têm fresco na memória o chamado “Caracazo”, os protestos violentos no início de 1989, desencadeados pelo anúncio de um pacote de reformas econômicas.

Na Venezuela, é possível encher o tanque de 60 litros de um modelo sedan por menos de um dólar, enquanto em países como o Uruguai isso pode custar até 114 dólares.

Durante o discurso, Maduro também disse que vai manter três taxas de câmbio, como parte do controle que o governo estabelece sobre a moeda em um país que importa quase tudo que consome.

MECANISMO DE TRANSIÇÃO

A crise acentuada pela queda dos preços do petróleo afetou os cofres do governo venezuelano, deixando menos dólares disponíveis para gastar em importações e, em consequência, esvaziando as prateleiras de mercearias e supermercados.

Todos os dias milhares de venezuelanos têm de formar longas filas para encontrar itens básicos, um fenômeno que corroeu a popularidade de Maduro desde que tomou posse em 2013.

Com essa situação, o medo de que o país possa entrar em default cresceu nos mercados, embora Maduro diga que o país vai honrar seus compromissos.

Os economistas sugeriram que o governo adote medidas impopulares, mas necessárias, para melhorar o fluxo de caixa, como a unificação das três taxas de câmbio.

Mas o presidente disse na quarta-feira que será mantida a taxa mais alta de 6,3 bolívares por dólar para as importações de alimentos e medicamentos, e que as taxas atuais de 12 e 52 bolívares por dólar serão unificadas. Ele não especificou quando ou como será o novo mecanismo.

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