23 de Janeiro de 2015 / às 18:53 / 3 anos atrás

Iêmen vive vácuo de poder após renúncia de presidente e premiê

SANAA (Reuters) - O Iêmen mergulhou ainda mais no limbo político nesta sexta-feira depois da renúncia do presidente, Abd-Rabbu Mansour Hadi, que ficou exasperado por ver os rebeldes do grupo Houthi tomarem o país, uma manobra que pareceu pegar de surpresa o grupo apoiado pelo Irã.

Seguidores do movimento Houthi protestam para mostrar apoio ao grupo em Sanaa, no Iêmen, nesta sexta-feira. REUTERS/Khaled Abdullah

O ex-general Hadi afirmou que, ao ocuparem a capital, Sanaa, os houthis impediram sua tentativa de levar estabilidade ao país depois de anos de tumultos e desavenças tribais, aprofundando a pobreza e intensificando os ataques de aeronaves não tripuladas, conhecidas como drones, dos Estados Unidos contra militantes islâmicos.

Sua renúncia na quinta-feira surpreendeu o país de 25 milhões de habitantes da Península Arábica, no qual os houthis emergiram como facção dominante assumindo o controle de Sanaa em setembro e ditando os termos a um Hadi humilhado, a quem mantiveram como prisioneiro virtual em sua residência particular nesta semana após embates com seguranças.

Os houthis e ativistas pró-democracia se rivalizaram em manifestações nesta sexta-feira.

Milhares se reuniram no centro da capital com cartazes pedindo “Morte à América (EUA), Morte a Israel”, um slogan que se tornou marca registrada dos houthis, um grupo xiita.

“Hadi deveria ter renunciado muito tempo atrás”, disse Al Sheikh Moghadal Al Wazeer, um ancião e apoiador dos houthis. “Ele deveria ter feito mais e deveria ter conduzido o país com mais firmeza.”

Mais cedo no mesmo dia, um pequeno grupo de ativistas pró-democracia entoava “nós somos a revolução”, enquanto convergia para a Praça Change, o epicentro dos protestos de 2011 que forçaram o longevo presidente Ali Abdullah Saleh a entregar o cargo após um acordo de transferência de poder.

“Estamos aqui por rejeitar os eventos que estão acontecendo. Viemos aqui para construir um Estado e nossa exigência ainda é ter um Estado”, declarou o ativista Farida al-Yareemi. “Viemos aqui contra Ali Abdullah Saleh e ele tinha todas as armas.”

Washington, que contou com a cooperação de Hadi para realizar os ataques com drones contra o braço iemenita da Al Qaeda, disse estar preocupado com a saída do mandatário e do primeiro-ministro, Khaled Bahah, que também se demitiu na quinta-feira.

“Os Estados Unidos ficaram perturbados com os relatos da renúncia do presidente Hadi e de seu gabinete”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, em comunicado. “Neste momento, é crucial que todos os lados evitem a violência.”

O Parlamento iemenita agendou uma reunião no domingo para discutir a abdicação de Hadi e pode aceitá-la ou rejeitá-la. Pela Constituição, o presidente da legislatura, Yahya al-Ra‘i, oriundo do Congresso Geral do Povo, o partido de Saleh, assume o posto durante um período de transição enquanto novas eleições são organizadas.

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