January 29, 2015 / 10:14 AM / 3 years ago

Estado Islâmico teria fixado novo prazo para troca de refém

AMÃ/TÓQUIO (Reuters) - Em uma mensagem de áudio supostamente de um jornalista japonês detido por militantes do Estado Islâmico, o repórter afirma que um piloto da Força Aérea da Jordânia também capturado pelo grupo seria morto a menos que uma prisioneira iraquiana na Jordânia fosse libertada até o pôr-do-sol desta quinta-feira.

Homem passa por tela de TV exibindo imagens do piloto jordaniano Kasaesbeh e do jornalista japonês Goto, em Tóquio. 29/01/2015 REUTERS/Yuya Shino

A mensagem pareceu a adiar o prazo anterior estabelecido em um vídeo na terça-feira, no qual o jornalista sequestrado, Kenji Goto, dizia que seria morto dentro de 24 horas se a mulher não fosse solta.

A mais recente gravação de áudio, que não pôde ser verificada pela Reuters, foi postada no YouTube na quinta-feira. O chefe do gabinete de governo japonês, Yoshihide Suga, afirmou em uma coletiva de imprensa que há grandes chances de a voz na gravação ser realmente de Goto.

“Eu sou Kenji Goto. Esta é uma mensagem de voz que me disseram para enviar a vocês. Se Sajida al-Rishawi não estiver pronta para troca pela minha vida na fronteira turca até o pôr-do-sol de quinta-feira 29 de janeiro, pelo horário de Mossul (Iraque), o piloto jordaniano Kasaesbeh Mu’ath será morto imediatamente”, diz a voz na gravação.

A Jordânia informou na quarta-feira que não havia recebido nenhuma garantia de que Kasaesbeh estava seguro e que iria levar adiante a troca de prisioneiros proposta somente se ele for libertado.

A mensagem implícita na fita de áudio é que o piloto da Jordânia não seria parte do acordo, ou seja, qualquer troca seria entre Goto -um veterano correspondente de guerra- e Sajida. Qualquer troca que deixe de lado o piloto não seria bem recebida pela população da Jordânia, onde as autoridades insistem que ele é sua prioridade.

Não houve comentário imediato do governo da Jordânia, mas um oficial do setor de segurança disse que as autoridades estavam tentando verificar a autenticidade da gravação e se mantinham em coordenação com seus homólogos japoneses.

Na terça-feira, um vídeo no qual aparecia o jornalista japonês dizia que ele tinha menos de 24 horas de vida, a menos que fosse libertada Sajida, uma iraquiana que está no corredor da morte por seu papel em um atentado suicida que matou 60 pessoas na capital jordaniana, Amã, em 2005.

O porta-voz do governo jordaniano, Mohammad al-Momani, disse anteriormente que o país estava disposto a libertar a mulher se Kasaesbeh fosse poupado, mas deixou claro que ela seria mantida presa até o piloto ser solto.

Kasaesbeh foi capturado depois de seu jato caiu no nordeste da Síria, em dezembro, durante uma missão de bombardeio contra o Estado islâmico, grupo que conquistou grandes extensões da Síria e do Iraque. Ele faz parte de uma importante tribo jordaniana, que forma a espinha dorsal do apoio à monarquia.

TESTE PARA ABE

A crise dos reféns é o maior teste diplomático enfrentado pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, desde sua posse, em 2012, quando se comprometeu a reforçar a defesa do Japão e desempenhar um papel maior na segurança global.

Os comentários jordanianos têm levantado preocupações no Japão de que Goto possa deixar de fazer parte de qualquer acordo entre Amã e o Estado islâmico. Mas a CNN citou o ministro das Relações Exteriores jordaniano, Nasser Judeh, dizendo que “é claro” que a libertação do refém japonês seria parte de qualquer troca.

“Kenji não fez nada de errado”, disse a mãe de Goto, Junko Ishido, a jornalistas. “Espero que ele chegue em casa com segurança, esse é o meu único sentimento, como uma mãe.”

Falando após uma reunião extraordinário com o ministério, bem como no Parlamento nesta quinta-feira, Abe disse que o governo estava fazendo todos os esforços possíveis para garantir a libertação de Goto e repetiu que o Japão está buscando a cooperação da Jordânia.

A crise dos reféns começou depois que Abe, durante uma turnê do Oriente Médio, anunciou 200 milhões de dólares em ajuda não militar para países em conflito com o Estado islâmico, mas seu governo rejeita qualquer sugestão de que agiu precipitadamente e salienta que a assistência era humanitária.

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