January 30, 2015 / 5:03 PM / 3 years ago

Argentina critica senador dos EUA por questionar inquérito sobre morte de procurador

Por Richard Lough

Imagem do procurador argentino Alberto Nisman durante manifestação em Buenos Aires após sua morte. 29/01/2015 REUTERS/Marcos Brindicci

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina reagiu com irritação nesta sexta-feira a um senador norte-americano do Partido Republicano que expressou dúvidas sobre a capacidade de o governo argentino conduzir uma investigação crível sobre a morte misteriosa de um destacado procurador.

O chefe de gabinete argentino, Jorge Capitanich, acusou o senador Marco Rubio, da Flórida, de “comportamento imperialista” e alertou para qualquer “intromissão injustificada” no caso, que revoltou muitos argentinos e criou pressão para que a presidente Cristina Kirchner determine o que aconteceu.

Alberto Nisman, que investigava um ataque a bomba a um centro comunitário judaico em Buenos Aires em 1994 que matou 85 pessoas, foi encontrado morto no chão de seu banheiro em uma poça de sangue e com um tiro na cabeça.

Embora os resultados preliminares da autópsia indiquem que ele se matou, muitos argentinos continuam céticos. Cristina insinuou acreditar que Nisman foi morto por ex-espiões em complô contra o governo, mas não deu maiores detalhes.

Dias antes de sua morte, Nisman alegou que Cristina tentou comprometer seu inquérito e disse ter mais provas para mostrar ao Congresso.

Na quinta-feira, Rubio enviou uma carta ao secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que diz: “Estou profundamente preocupado com a capacidade do governo da Argentina para conduzir uma investigação justa e imparcial sobre a morte (de Nisman)”.

Potencial candidato republicano à Presidência dos EUA em 2016, Rubio instou Kerry a pressionar por uma investigação independente e com assistência internacional.

Indagado sobre os comentários de Rubio em seu informe diário à imprensa, Capitanich declarou que “a intromissão injustificada de um Estado nos assuntos internos de outro é uma interferência errada”.        

Nisman afirmou em sua denúncia que Cristina abriu canais de comunicação secretos com o Irã para inocentar uma série de iranianos suspeitos pelo atentado em troca de acordos comerciais. O governo tachou a afirmação de “absurda”.

O Irã, por sua vez, negou vigorosamente qualquer papel no ataque.

Em sua carta a Kerry, Rubio escreveu que o caso de Nisman é relevante para a segurança nacional dos EUA. “À medida que as discussões com o regime iraniano se intensificam... é mais importante que nunca que o público e os legisladores norte-americanos entendam claramente a natureza das atividades do Irã em nosso próprio hemisfério, tanto agora quanto no passado”.

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