February 10, 2015 / 10:50 AM / 3 years ago

Ex-chefe do FMI Strauss-Kahn nega saber que mulheres em festas eram prostitutas

Por Alexandria Sage

Ativista do grupo Femen sendo detida pela polícia enquanto seguia para o carro de Strauss-Kahn em frente ao tribunal, em Lille. 10/02/2015 REUTERS/Pascal Rossignol

LILLE, França (Reuters) - Dominique Strauss-Kahn disse em um tribunal francês nesta terça-feira que não sabia que as mulheres nas “alegres e divertidas” festas sexuais em que participava eram prostitutas, argumentando que teria sido muito arriscado, dada sua então função como chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Strauss-Kahn, de 65 anos, é acusado de promover festas em que sabia que prostituas estavam envolvidas, entre 2008 e 2011 na cidade de Lille, no norte da França, em Washington, Bruxelas e Paris.

Com voz calma e confiante e vestindo um terno preto sóbrio, ele reconheceu sua predileção por festas “libertinas” com um pequeno grupo de amigos que, por vezes, o convidava para participar de “um almoço ou algo mais alegre e divertido” em Paris.

Ele nunca organizou as festas nem pediu a outros para organizá-las, e nunca teria participado se soubesse que as mulheres eram prostitutas, disse Strauss-Kahn, expressando “horror por relações sexuais pagas”.

“Seria realmente muito perigoso” ter ligações com prostitutas dada a sua posição elevada no FMI e sua susceptibilidade à pressão da polícia e cafetões, afirmou.

A questão se Strauss-Kahn sabia ou não que as mulheres eram prostitutas e quem organizava as festas são fundamentais para o julgamento de três semanas, em que ele é acusado de “proxenetismo com circunstâncias agravantes”, ou lenocínio.

Strauss-Kahn minimizou a frequência das festas, e as classificou como encontros casuais entre pessoas afins.

“Quando você lê a queixa-crime, tem a impressão de que era uma atividade frenética”, disse Strauss-Kahn. “Mas foram quatro vezes por ano, e não mais do que isso. Não era essa atividade fora de controle que a denúncia sugere.”

Strauss-Kahn era cotado para se tornar presidente da França, antes de ser acusado de agressão sexual por uma camareira de hotel em Nova York, em 2011. Essas acusações criminais foram depois retiradas, e as alegações de que ele participava de uma rede de sexo francesa surgiram mais tarde.

No começo do dia, três manifestantes de topless do grupo Femen, com frases pintadas de preto nos seios e tronco, tentaram subir no veículo de Strauss-Kahn no momento em que ele chegava ao tribunal.

Uma ex-prostituta contratada para uma das festas sexuais em Paris disse que era diferente dos encontros normais libertinos.

“Eu me encontrei no meio de todas essas garotas em torno deste homem”, disse ela, referindo-se a Strauss-Kahn. “Não havia outros homens, por isso não foi um encontro libertino, pelo menos na minha definição.”

Ela e outra mulher que participou do mesmo encontro - ambas são partes civis no caso - disseram que Strauss-Kahn deveriasaber que estava lidando com prostitutas.

Strauss-Kahn, que diz que sua carreira política já está acabada, pode ser condenado a até 10 anos de prisão e multado em até 1,5 milhão de euros.

Procuradores que enviaram o caso ao tribunal dizem que a acusação de agenciamento é aplicável porque na França ela cobre qualquer atividade vista como facilitação da prostituição. No caso de Strauss-Kahn, supostamente ele autorizou o uso de seu apartamento alugado para orgias envolvendo prostitutas e as festas eram organizadas para ele.

No total, 14 pessoas, incluindo Strauss-Kahn, são acusadas no julgamento do caso conhecido como “Carlton Affair” devido ao nome do hotel em Lille que deu início à investigação da rede de sexo.

Strauss-Kahn foi ministro das Finanças da França no final dos anos 1990 e se tornou chefe do FMI em 2007. Era esperado que concorresse à presidência da França em 2012, mas teve que abandonar o plano após ter sido acusado de abuso sexual pela camareira em nos EUA. Com isso permitiu que o socialista Francois Hollande entrasse na disputa e derrotasse o então presidente Nicolas Sarkozy.

Depois que a acusação criminal foi retirada, Strauss-Kahn fez um acordo no processo civil aberto pela camareira.

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