February 12, 2015 / 12:07 AM / 3 years ago

Governo lançará medidas para incentivar economia de energia no país

Por Leonardo Goy

Torres de transmissão de energia elétrica perto da represa Billings, em Diadema, na Grande São Paulo. 10/02/2015 REUTERS/Paulo Whitaker

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal decidiu lançar as primeiras medidas de economia de eletricidade, afirmou nesta quarta-feira o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, em meio a um quadro de maior risco de racionamento no Brasil.

A primeira medida abrange a administração pública, com a determinação para que todos os prédios públicos federais economizem energia e água, disse o ministro. A decisão constará de portaria a ser editada ainda nesta quarta-feira pelo Ministério do Planejamento.

Segundo Braga, que participou nesta quarta-feira de reunião com a presidente Dilma Rousseff, o objetivo é economizar até 30 por cento de energia nos prédios públicos federais com as medidas de eficiência e consumo racional a serem implantadas.

O ministro, porém, afirmou que o governo decidiu não prorrogar a vigência do Horário de Verão. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, tinha afirmado na semana passada que o governo estava estudando a viabilidade de extensão do período especial.

“Não vale a pena prorrogar. Do ponto de vista da energia, parte do Brasil ficaria às escuras de manhã e teríamos mais consumo nesse horário”, disse, lembrando ainda que o horário de pico do consumo também não está ocorrendo mais no fim da tarde, o que também reduziria o impacto de uma eventual postergação do Horário de Verão.

Braga disse que o governo pretende disponibilizar uma cartilha online para ajudar os consumidores interessados a reduzir seu consumo de energia em até 30 por cento, mas deixou claro que a adesão às medidas de racionalização descritas no manual – o mesmo que será seguido pelos prédios públicos - é voluntária.

Na semana passada, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) elevou de 4,9 por cento para 7,3 por cento o risco de déficit de energia neste ano, acima do limite tido como tolerável, de 5 por cento.

INCENTIVO À GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Outro tema definido pelo governo federal e que agora será regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é o incentivo para aumentar a chamada geração distribuída – aquela que é feita por consumidores que instalam equipamentos para geração própria e podem devolver excedentes ao sistema.

A ideia, segundo ele, é viabilizar que esses autoprodutores antecipem a geração de energia, hoje concentrada no fim da tarde, para fazer frente aos picos de demanda no sistema elétrico que têm ocorrido mais para o meio da tarde.

“Isso é para quem já está no programa de geração distribuída, tem um gerador. Ele hoje usa isso por três horas, poderia estender isso por mais três horas”, disse.

Braga afirmou que a estimativa é que esses equipamentos possam agregar cerca de 3 mil megawatts (MW) no horário de ponta, o equivalente, no mês, a cerca de 300 MW médios.

O pagamento dessa energia vai se dar, segundo ele, “via sistema”, mas Braga afirmou que não haverá custos adicionais para o consumidor, uma vez que essa energia da geração distribuída poderia substituir parte da eletricidade que as distribuidoras já compram no mercado à vista.

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