February 13, 2015 / 12:57 PM / 3 years ago

ANP exigiu aumento da produção da Petrobras na plataforma que explodiu

Por Marta Nogueira

Comboio de carros, um contendo corpos das vítimas da explosão na FPSO Cidade de São Mateus. 12/02/2015 REUTERS/Gabriel Lordello

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras recebeu exigências da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para realizar estudos para aumentar a produção da plataforma Cidade de São Mateus poucos dias antes da explosão que deixou cinco trabalhadores mortos, quatro desaparecidos e 26 feridos no litoral capixaba, nesta semana.

A determinação foi uma condicionante apresentada pela ANP para a aprovação do Plano de Desenvolvimento dos campos de Camarupim e Camarupim Norte, onde está lotada a plataforma, operada pela norueguesa BW Offshore a serviço da Petrobras.

Segundo ata de reunião de diretoria da autarquia, realizada na quarta-feira da semana passada, a Petrobras deve apresentar estudos para redução da capacidade ociosa da Cidade de São Mateus até janeiro de 2016.

Procurada, a Petrobras não respondeu imediatamente questionamentos da reportagem sobre a determinação da ANP, apenas frisou por meio de sua assessoria de imprensa que a plataforma não pertence à Petrobras, apenas está a seu serviço.

Além de incluir informações para perfuração e interligação de um novo poço produtor no reservatório, os estudos pedidos pela agência reguladora também devem incluir avaliações para a interligação de novo poço produtor no campo de Golfinho, vizinho dos dois campos.

A FPSO Cidade de São Mateus, que armazena e produz petróleo e gás, operava a cerca de 40 km da costa, segundo a ANP, produzindo cerca de 2,25 milhões de metros cúbicos por dia de gás, principal produto da área, e mais 350 metros cúbicos de petróleo por dia.

A produção de petróleo da unidade era equivalente a menos de 10 por cento de sua capacidade de extração, e a de gás natural estava um quarto menor que sua capacidade.

Mesmo assim, a produção de gás natural ainda era relevante, de aproximadamente 3 por cento da produção total da Petrobras no Brasil em dezembro, que atingiu ao todo naquele mês 73,5 milhões de metros cúbicos/dia.

A produção de gás era escoada por duto para terra e, segundo ficha técnica publicada pela BW Offshore, a FPSO tem capacidade de armazenagem de 700 mil barris de petróleo.

Camarupim é operado pela Petrobras, que tem 100 por cento da concessão. Já Camarupim Norte é operado pela Petrobras, com 65 por cento, em parceria com a brasileira Ouro Preto Energia, que detém os demais 35 por cento.

No campo de Golfinho, a Petrobras detém 100 por cento da concessão.

BUSCA POR DESAPARECIDOS

A BW Offshore informou nesta sexta-feira que quatro de seus trabalhadores mortos na explosão eram de nacionalidade brasileira, enquanto o quinto era indiano.

Quatro trabalhadores permanecem desaparecidos, todos eles brasileiros. Do total de 26 feridos, 19 já foram liberados depois de atendidos nos hospitais locais, e os demais continuam internados.

A empresa afirmou que está firme nas buscas pelos desaparecidos. Segundo a companhia, o casco do navio permaneceu intacto apesar da explosão, que aconteceu com 74 pessoas a bordo.

O local onde ocorreu a explosão permanecia inundado e inacessível, segundo a última informação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, na noite de quinta-feira.

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