March 23, 2015 / 9:34 PM / 4 years ago

Dilma prioriza solução para crise com Congresso, mas descarta troca de Mercadante, diz fonte

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff está empenhada em priorizar a solução da crise política com o Congresso, mas isso não envolve a substituição do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, como alguns aliados têm pedido, e nem uma reforma ministerial ampla, disse à Reuters uma fonte do Palácio do Planalto nesta segunda-feira.

Brazil's President Dilma Rousseff reacts as she attends the opening ceremony of the International Construction Fair in Sao Paulo March 10, 2015. REUTERS/Paulo Whitaker (BRAZIL - Tags: POLITICS BUSINESS CONSTRUCTION)

Apesar de rejeitar a hipótese de substituir Mercadante, apontado por aliados, em especial peemedebistas, como responsável pelo agravamento das relações com a base governista no Congresso, Dilma tem promovido uma variação na articulação política, o que na prática esvazia um pouco o poder do ministro.

“Não há nenhuma orientação explícita da presidente para que o Mercadante não negocie com os aliados, o que há é uma diluição da articulação política com mais ministros de partidos aliados ajudando com o Congresso”, disse a fonte, sob condição de anonimato.

Sobre possibilidade de Mercadante ser substituído ou transferido para o Ministério da Educação, a fonte disse para “esquecer” essas alternativas.

A prioridade do governo neste momento, ainda segundo essa fonte, é “voltar a ter estabilidade no Congresso”, mas não por meio de uma reforma ministerial.

A estabilidade com a base governista é essencial para Dilma conseguir aprovar um conjunto de medidas necessárias para o ajuste fiscal que está sendo promovido pela equipe econômica. Além disso, há interesse em passar o pacote de medidas para endurecer o combate à corrupção, que daria um respaldo ao discurso de Dilma para enfrentar as crescentes manifestações populares contra seu governo.

EXIGÊNCIAS

Para uma fonte do PMDB, porém, a melhora da relação com o Congresso e com o partido passa necessariamente pela saída de Mercadante da Casa Civil e outras mudanças na articulação política. O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, também alvo de críticas pela falta de “habilidade para negociar.”

Esse peemedebista, que falou sob condição de anonimato, usou o exemplo da saída de Cid Gomes do Ministério da Educação após entrar em atrito com os aliados na Câmara dos Deputados. Segundo a fonte, isso mostra como a base considera que tem força para pressionar a presidente a fazer mudanças no ministério.

Cid pediu demissão depois que foi convocado à comissão geral na Câmara na quarta-feira da semana passada para explicar a declaração de que havia 300 a 400 “achacadores” na Casa, em referência a deputados da base. O ex-ministro reafirmou o que tinha dito, e o PMDB pediu sua cabeça para continuar apoiando o governo. O pedido foi atendido por Dilma no mesmo dia.

“O Congresso está com sangue na boca. Eles não vão parar de pressionar e exigir mais do Executivo, estão sentindo a fraqueza do governo”, avaliou esse peemedebista.

Segundo ele, as baterias dos aliados estão direcionadas para Mercadante principalmente por causa do tratamento dispensado pelo ministro nas reuniões com líderes e demais parlamentares.

Esse diagnóstico, porém, não é compartilhado pela presidente, segundo a fonte do Palácio do Planalto. Na semana passada, questionada sobre uma reforma ministerial mais ampla depois da saída de Cid, Dilma disse que não faria mudanças por atacado, apenas trocas pontuais.

Para o Ministério da Educação, Dilma está inclinada a buscar algum expoente na área e não encontrar uma solução política, segundo a fonte do Palácio.

Ainda nesta semana, segundo a fonte, Dilma deve escolher um novo ministro para substituir Thomas Traumann, na Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann. A situação dele no governo é praticamente insustentável depois do vazamento de um documento atribuído à Secom em que diz haver um “caos político” no governo, que teria a comunicação “errada e errática”.

O documento foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e Dilma disse que não havia sido discutido no governo e, portanto, não era oficial.

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