March 26, 2015 / 1:12 PM / 3 years ago

Copiloto aparentemente provocou queda de avião de forma deliberada, diz procurador francês

Por Tim Hepher e Jean-François Rosnoblet

Equipe de resgate nos Alpes frances, próximo ao local da queda do avião da Germanwings. 26/03/2015 REUTERS/Jean-Paul Pelissier

PARIS/SEYNE-LES-ALPES (Reuters) - O copiloto do avião da Germanwings que caiu nos Alpes franceses, matando todas as 150 pessoas a bordo, aparentemente provocou a queda de forma deliberada, disse um procurador francês nesta quinta-feira.

O alemão Andreas Lubitz, de 28 anos, que assumiu o controle do Airbus A320 após o capitão deixar a cabine, se recusou a reabrir a porta e operou os controles que fizeram a aeronave descer, disse o procurador Brice Robin durante entrevista coletiva.

O procurador francês disse que Lubitz não era conhecido como terrorista e não existe base para considerar a queda como um incidente terrorista. Gravações sugerem que os gritos dos passageiros começaram pouco antes do impacto final, completou.

Mais cedo nesta quinta-feira, um procurador alemão disse que somente um dos dois pilotos do avião estava na cabine na hora em que caiu.

A confirmação foi feita após reportagem do jornal The New York Times afirmando que as gravações de voz do jato alemão mostravam que um dos pilotos havia deixado a cabine e não conseguiu retornar a seu lugar antes da queda do avião.

“Um estava na cabine e o outro não estava”, disse Christoph Kumpa, no escritório da procuradoria alemã em Duesseldorf, à Reuters, por telefone, acrescentando que a informação foi repassada por investigadores na França.

Os investigadores ainda estavam estudando nesta quinta-feira as gravações de voz da caixa-preta, enquanto as buscas prosseguiam em um desfiladeiro onde o avião caiu, a 100 quilômetros da cidade de Nice.

A gravação não deixa claro o que levou o piloto a deixar a cabine ou por que ele não conseguiu retornar enquanto a aeronave estava em queda numa região remota dos Alpes franceses.

“O cara do lado de fora está batendo de leve na porta e não há nenhuma resposta”, disse um investigador descrito apenas como um alto oficial militar francês ao New York Times, citando as gravações. “E então ele bate na porta com mais força e não há resposta. Nunca há uma resposta.”

“Você pode ouvir que ele está tentando pôr a porta abaixo”, acrescentou o investigador.

O áudio da cabine mostra uma conversa “muito boa, muito legal” entre os pilotos no início do voo. “Nós não sabemos ainda a razão pela qual um deles saiu (da cabine)”, disse o oficial. “Mas o certo é que, no final do voo, o outro piloto está sozinho e não abre a porta.”

Um porta-voz da Lufthansa, proprietária da Germanwings, disse: “Nós não temos nenhuma informação por parte das autoridades que confirme essa reportagem e estamos buscando mais informações. Nós não fazemos especulações sobre as causas do acidente”.

Ele confirmou que o piloto principal tinha mais de 6.000 horas de voo, enquanto o copiloto, mais novo na profissão, voara apenas 630 horas e estava na Germanwings desde setembro de 2013.

O órgão de investigação de acidentes aéreos na França, o BEA, não estava disponível para comentar a notícia do NYT. Na quarta-feira, o BEA afirmou ser muito cedo para tirar conclusões significativas sobre os motivos da queda do avião.

“Nós ainda não pudemos estudar e estabelecer um tempo exato para todos os sons e as palavras ouvidas nesse arquivo”, disse o diretor do BEA, Remi Jouty, em entrevista coletiva.

O BEA informou que o avião começou a descer um minuto depois de atingir a altura de cruzeiro e perdeu altitude por mais de nove minutos. As últimas palavras do piloto ouvidas em terra confirmavam o próximo ponto de navegação, terminando com um call-sign (indicativo de chamada) e um “obrigado”.

Os pilotos podem sair temporariamente da cabine em certos momentos e em determinadas circunstâncias, como quando a aeronave está em cruzeiro, de acordo com a lei da aviação alemã.

11 DE SETEMBRO

A Lufthansa disse que as portas da cabine podem ser abertas pelo lado de fora com um código, de acordo com os regulamentos apresentados após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. No entanto, o sistema de código pode ser bloqueado a partir de dentro da cabine, segundo explica um vídeo promocional da Airbus publicado online e confirmado pela fabricante de aviões.

Na quarta-feira o BEA descartou a hipótese de uma explosão em pleno ar e disse que o cenário não se parecia com o de uma despressurização.

O órgão também observou que o avião tinha voado em uma linha reta diretamente para a montanha, mas não deu nenhum detalhe sobre se parecia estar sendo conduzido por um piloto ou se estava no piloto automático.

A recuperação de uma das duas caixas-pretas ocorreu na quarta-feira, dia em que o presidente da França, François Hollande, e os primeiros-ministros da Alemanha, Angela Merkel, e da Espanha, Mariano Rajoy, visitavam o local do acidente para prestar homenagem às vítimas, na maioria alemãs e espanholas.

A Germanwings afirmou que 72 alemães morreram no primeiro grande desastre aéreo de passageiros em solo francês desde o acidente com o Concorde, em 2000, nos arredores de Paris. O governo espanhol revisou para baixo nesta quinta-feira o número de vítimas espanholas, de 51 para 50.

Entre as vítimas havia também cidadãos da Grã-Bretanha, Bélgica, Estados Unidos, Marrocos, Argentina, Austrália, Colômbia, Dinamarca, Israel, Japão, México, Irã e Países Baixos, disseram autoridades. Segundo o governo francês, os exames de DNA para identificá-los podem levar semanas.

As famílias das vítimas estavam sendo levadas para Marselha nesta quinta-feira antes de serem conduzidas até a zona perto do local do acidente. Foram preparadas capelas com vista para a montanha onde seus entes queridos morreram.

A polícia e equipes forenses a pé e em helicópteros continuavam as buscas, mas disseram que o impacto do acidente foi tão violento que o avião ficou partido em pedaços pequenos.

“Quando vamos a um local do acidente esperamos encontrar parte da fuselagem. Mas aqui não vemos nada”, disse Xavier Roy, coordenador das operações aéreas.

Reportagem adicional das redações em Paris, Berlim, Frankfurt e Madri; Reportagem de Mark John

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