April 10, 2015 / 12:22 AM / 3 years ago

Grupo de ex-presidentes exige que Venezuela liberte "presos políticos"

CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) - Um grupo de ex-presidentes exigiu nesta quinta-feira do governo da Venezuela a libertação de “presos políticos” e a realização de eleição legislativas “livres” no país sul-americano, assolado por uma crise econômica e política.

Mitzy de Ledezma (centro), esporta do prefeito de Caracas preso Antonio Ledezma, fala à imprensa durante protesto na Cidade do Panamá, onde ocorrerá a Cúpula das Américas. 08/04/2015 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

A declaração foi apresentada na véspera da abertura da Cúpula das Américas, que ocorre sexta-feira e sábado no Panamá, e foi assinada por 25 ex-presidentes, entre eles o costarriquenho Óscar Arias, vencedor do prêmio Nobel da Paz; o mexicano Felipe Calderón; o colombiano Andrés Pastrana e o espanhol José María Aznar.

“Estamos exigindo a imediata libertação dos opositores..., uma mudança nas políticas de Estado em relação aos Direitos Humanos e que os venezuelanos votem livremente”, disse Pastrana, acrescentando que a iniciativa foi tomada devido à deterioração “alarmante” da democracia e do avanço da corrupção na Venezuela.

O documento faz referência à situação do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, e do líder de oposição Leopoldo López, que estão presos sob a acusação de organizarem um complô para derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, herdeiro político do falecido Hugo Chávez.

“Essa é uma grande oportunidade, porque este grupo de ex-presidentes, de diferentes ideologias, se uniu... por entender que os venezuelanos precisam de ajuda internacional”, disse Mitzy Capriles, mulher de Ledezma, que esteve presente ao ato de divulgação da declaração, ao lado de Lilian Tintori, mulher de López.

Ledezma foi acusado nesta semana de conspiração pela promotoria e deve ir a julgamento enquanto ainda está na prisão, após ter sido detido em fevereiro. López está há mais de um ano detido na mesma penitenciária militar de Ramo Verde.

A cúpula, marcada pela incipiente reaproximação entre Estados Unidos e Cuba, também vai servir de cenário para a crescente tensão entre Washington e Caracas, após a Casa Branca ter classificado a Venezuela como uma ameaça à segurança nacional norte-americana, podendo assim aplicar sanções em decorrência da corrupção e da violação dos direitos humanos.

A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, evitou falar sobre a declaração dos ex-presidentes na Cidade do Panamá. Em vez disso, ela concentrou seus esforços para dizer que Obama deve revogar a resolução se realmente não considera a Venezuela uma ameaça, como disse em uma entrevista à agência EFE.

“Errar é humano, mas corrigir é sábio e espero uma resposta sensata por parte do governo dos Estados Unidos... que acabe com a lei imperial em nosso continente”, disse ela a repórteres.

“Estamos no momento histórico de um novo relacionamento destas duas Américas que hoje estão se encontrando”, acrescentou, referindo-se à primeira vez que todos os países da Organização dos Estados Americanos (OEA) vão se sentar à mesa desde que Cuba foi suspensa do órgão em 1962.

A aprovação de Maduro, que despencou desde que assumiu o poder há dois anos à medida que a crise econômica piorou no país, se recuperou ligeiramente em março, segundo dados da consultoria Datanálisis num estudo realizado após a decisão de Obama.

Analistas garantem que Maduro ganhou popularidade ao reivindicar e recolher quase 10 milhões de assinaturas na Venezuela contra a ordem executiva do presidente norte-americano, que também levou à aplicação de sanções contra sete autoridades do governo por violar os direitos humanos.

Maduro, que está disposto a levar as assinaturas à Cúpula das Américas no Panamá, garantiu no mês passado que “faça chuva ou faça sol” as eleições legislativas vão ocorrer neste ano, numa disputa em que a oposição tem uma boa chance de assumir o controle do Congresso Nacional, hoje nas mãos de forças aliadas ao governo.

“Pode ser equivocada ou imprecisa nossa estratégia. Mas preferimos errar fazendo coisas a favor da Venezuela, preferimos agir, preferimos falar, preferimos pedir, a calar ou olhar para o outro lado”, afirmou Calderón.

Reportagem adicional de Corina Rodríguez e Anahí Rama

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