April 28, 2015 / 12:22 PM / in 3 years

Brasileiro e mais 8 devem ir ao pelotão de fuzilamento à meia-noite na Indonésia

Por Kanupriya Kapoor

Ativista idonésio segura documento em entrevista durante protesto contra execução do brasileiro Rodrigo Gularte em frente ao porto de Wijayapura, em Cilacap, na Indonésia. 28/04/2012 REUTERS/Beawiharta

CILACAP, Indonésia (Reuters) - Nove condenados por tráficos de drogas na Indonésia, incluindo o brasileiro Rodrigo Gularte, tiveram encontros de despedida emocionados com suas famílias em uma prisão nesta terça-feira, depois que o governo indonésio rejeitou apelos de clemência de última hora de várias partes do mundo e ordenou as execuções.

“Eu não vou vê-lo novamente”, disse Raji Sukumaran, a mãe de um australiano que vai ficar diante de um pelotão de fuzilamento, num grupo do qual fazem também outro australiano e prisioneiros da Nigéria, Filipinas e Indonésia.

“Eles vão levá-lo à meia-noite e matá-lo. Estou pedindo ao governo que não o mate. Por favor, não o mate hoje”, disse ela a jornalistas, chorando enquanto falava.

Centenas de pessoas começaram a se reunir em cidades em toda a Austrália para vigílias por Myuran Sukumaran e Andrew Chan, segurando cartazes e pedindo que a Austrália dê uma forte resposta ao país vizinho se a Indonésia levar adiante as execuções.

As penas de morte foram condenadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e abalaram os laços da Indonésia com o Brasil e a Austrália.

Gularte deve se tornar o segundo cidadão brasileiro a ser executado na Indonésia este ano, após o fuzilamento de Marco Archer, em janeiro, também condenado por tráfico de drogas.

A prisão de segurança máxima da ilha, situada ao largo da costa de Java, teve reforço na proteção nesta terça-feira. Conselheiros religiosos, médicos e o pelotão de fuzilamento foram alertados para iniciar os preparativos finais para a execução, e uma dúzia de ambulâncias, algumas carregando caixões cobertos de cetim branco, chegaram ao local.

Em meio a cenas caóticas fora da cadeia, um membro de uma das famílias australianas desmaiou e foi levado pela multidão. “Eu hoje vivi algo pelo qual nenhuma outra família deveria ter que passar. Nove famílias dentro de uma prisão dizendo adeus a seus entes queridos”, disse o irmão de Chan, Michael. “É uma tortura.”

As autoridades indonésias se recusaram a informar a hora das execuções, que devem ocorrer em uma clareira em uma floresta nas proximidades, mas a mais recente execução de um grupo de traficantes de drogas foi realizada à meia-noite.

Aos prisioneiros será dada a opção de ficar de pé, ajoelhar-se ou sentar-se diante do pelotão de fuzilamento. Suas mãos e pés serão amarrados.

Doze atiradores vão mirar no coração de cada prisioneiro, mas apenas três armas terão munição de verdade. As autoridades dizem que isso é para que o carrasco não seja identificado.

Autoridades concederam na segunda-feira o último desejo do australiano Chan, que era se casar com sua namorada indonésia na prisão.

Reportagem adicional de Fergus Jensen, Gayatri Suroyo e Randy Fabi, em Jacarta; e Jane Wardell, em Sydney

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below