25 de Novembro de 2015 / às 16:48 / em 2 anos

Surpreso com prisão de Delcídio, Planalto corre para escolher líder interino e evitar paralisia

Presidente Dilma Rousseff aguarda chegada de chanceler alemã, Angela Merkel, no Palácio do Planalto 20/8/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O Palácio do Planalto foi pego totalmente de surpresa pela prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), nesta quarta-feira, e tenta agora decidir, o mais rapidamente possível, qual dos vice-líderes na Casa assumirá a liderança interinamente para evitar uma paralisia nas votações do Senado, de acordo com fontes do Palácio do Planalto.

O Planalto já esperava o cancelamento da sessão do Congresso Nacional, que estava marcada para esta manhã, após a prisão do líder governista, segundo essas fontes, mas ainda tem esperanças de que o Congresso retome a sessão à tarde.

“A sessão hoje é do Congresso, então para hoje temos líder, o senador José Pimentel (PT-CE). O governo vai escolher rapidamente, mas com calma”, disse à Reuters um auxiliar próximo da presidente.

A sessão do Congresso estava marcada para esta manhã e foi cancelada. Está prevista agora para 15h, mas a presidência do Senado confirma que será preciso ver na hora se haverá quórum para mantê-la.

A sessão deve apreciar a mudança da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano para incluir um déficit consolidado que pode chegar a 117 bilhões de reais. Se terminar um ano com o orçamento prevendo superávit, como está agora, o governo incorre em crime de responsabilidade fiscal.

Há também matérias importantes no Senado de interesse direto do Planalto. Entre elas, o projeto de lei de regularização de recursos brasileiros não declarados no exterior, que chegou ao Senado há cerca de duas semanas e que, possivelmente, teria o próprio Delcídio como relator.

De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência, o governo pretende divulgar ainda nesta quarta quem assumirá o cargo do senador preso, mesmo que interinamente, até que se tenha ideia mais clara do que acontecerá com Delcídio.

São quatro os vice-líderes do governo na Casa --Paulo Rocha (PT-PA), Wellington Fagundes (PR-MT), Telmário Mota (PDT-RR) e Hélio José (PSD-DF).

Em reunião pela manhã entre os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, e o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Edinho Silva, o nome do senador Paulo Rocha foi, ao menos por enquanto, descartado e o de Fagundes era o mais cotado, mas ainda não há uma decisão, também de acordo com as fontes palacianas.

O Planalto ainda avalia o impacto da prisão de Delcídio.

Nesta manhã, a presidente Dilma Rousseff chamou Berzoini ao Palácio da Alvorada e o incumbiu de negociar a nomeação do novo líder no Senado. Também estiveram com ela o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e Wagner. Os ministros se reuniram mais uma vez com a presidente no final da manhã e Wagner foi para o Alvorada almoçar com a presidente.

Os ministros passaram a manhã tentando obter mais informações sobre as acusações ao senador e sua real situação.

MERCADO FINANCEIRO

Auxiliares da presidente tentam passar a imagem de que a prisão do líder no Senado não tem relação com o governo e não atinge o Planalto, já que as ações de Delcídio visavam proteger a ele mesmo. Ainda assim, o tom era de preocupação com as consequências pela prisão de um parlamentar com enorme trânsito no Planalto e muito próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com fontes palacianas, a presidente teme também o impacto no mercado pela prisão do banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual. Nesta manhã, o dólar voltou a superar os 3,80 reais e a bolsa de valores caía mais de 2 por cento.

Delcídio foi preso pela Polícia Federal por suspeita de obstruir o andamento da operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras.

O ministro Teori Zavascki, responsável pelas ações decorrentes da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), disse que Delcídio foi acusado de ter supostamente negociado oferta de fuga ao ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró em troca de silêncio nas investigações da operação.

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