7 de Dezembro de 2015 / às 15:36 / em 2 anos

Oposição da Venezuela comemora fim da hegemonia socialista

CARACAS (Reuters) - Em estado de êxtase, líderes de oposição da Venezuela prometeram nesta segunda-feira usar a maioria parlamentar conquistada na eleição de domingo para libertar adversários do governo socialista atualmente na prisão, mas também disseram que não irão desfazer as políticas sociais populares.

Lilian Tintori, mulher de líder de oposição preso Leopoldo López, comemora vitória ao lado de candidatos da oposição na eleição da Venezuela. 07/12/2015 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) conquistou mais que o dobro dos assentos dos socialistas na Assembleia Nacional na votação do fim de semana, que puniu o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pela profunda crise econômica.

Foi a primeira vez em 16 anos que o chavismo, batizado em homenagem ao falecido ex-presidente Hugo Chávez, perdeu a maioria da assembleia de 167 membros, o que dá à oposição uma plataforma para desgastar ainda mais o poder de Maduro no país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O presidente de 53 anos, que foi escolhido a dedo por Chávez, mas que não tem seu carisma nem seu tino político, rapidamente aceitou a derrota em um discurso à nação, acalmando os temores de violência.

Ciente de que a vitória se deveu mais à insatisfação pública com Maduro do que ao amor pela oposição, o chefe da coalizão adversária, Jesús Torrealba, exortou os venezuelanos a superarem suas diferenças.

“Estivemos divididos durante anos, e o país não ganhou nada com este erro histórico... a Unidade Democrática não está aqui para maltratar ninguém”, afirmou Torrealba, de quem Maduro debochou chamando de “Shrek do mal” durante a campanha, em discurso de comemoração nas primeiras horas desta segunda-feira.

Reiterando que uma Lei de Anistia será uma prioridade da oposição quando a nova assembleia começar a trabalhar, no dia 5 de janeiro, Torrealba prometeu o retorno dos direitos “daqueles que foram injustamente perseguidos, presos, afastados da política ou exilados”.

Mas ele também garantiu aos apoiadores do governo que a coalizão tentará não se desfazer dos programas sociais extremamente populares durante os mandatos de Chávez, entre 1999 e 2013, e que Maduro insistiu em afirmar que a oposição encerraria.

Com 99 cadeiras diante das 46 dos socialistas até o momento –os resultados sobre os 22 assentos restantes ainda não foi divulgado–, a coalizão opositora parece a caminho de obter uma maioria de três quintos, o que significa que, em teoria, poderá demitir ministros após uma moção de censura.

Com esta vantagem, a oposição pode tentar reformular instituições há muito vistas como pró-governo, como o Judiciário. Mesmo com uma maioria simples, os opositores podem exercer controle sobre o orçamento, iniciar investigações que podem constranger o governo e aprovar uma Lei de Anistia.

“A vitória da oposição é altamente significativa. Isso se dá, em parte, porque é a primeira vez... que a oposição consegue traduzir a frustração pública com o governo em vitória nas urnas”, disse Fiona Mackie, analista de América Latina da The Economist Intelligence Unit.

Reportagem adicional de Deisy Buitrago, em Caracas, e Sujata Rao, em Londres

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