7 de Dezembro de 2015 / às 17:18 / 2 anos atrás

Temer se recolhe e fica em silêncio após deflagração de pedido de impeachment

SÃO PAULO (Reuters) - O vice-presidente Michel Temer parece estar em compasso de espera desde a deflagração de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na semana passada, sem participar de eventos públicos e expressando desconforto com declarações provenientes do Palácio do Planalto sobre sua posição em relação ao impedimento.

Vice-presidente Michel Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. 24/11/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Diante do silêncio público de Temer, Dilma vem reiterando sua confiança no vice e que ele sempre agiu de maneira correta com ela.

“Ele tem sempre tido um comportamento bastante correto. O silêncio depende de quem está escutando. Eu não tenho escutado silêncio nenhum”, afirmou Dilma em entrevista nesta segunda-feira.

De acordo com uma fonte próxima do vice, Temer conversou com Dilma na quinta-feira, um dia depois de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitar um pedido de abertura de impeachment contra Dilma e apenas sugeriu à petista que tratasse a questão de forma “institucional”, posição oposta à abordagem do Planalto de confrontar Cunha.

A fonte ligada a Temer disse que o vice se irritou com declarações atribuídas a ele na semana passada por ministros de que o vice teria feito a avaliação de que o pedido de impeachment não tem embasamento jurídico e de que iria, como constitucionalista que é, ajudar na defesa da presidente.

Em 1992, à época do processo de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello, Temer escreveu artigo em que afirma que o processo de impedimento é político, não é jurídico, e que a pergunta a ser respondida pelos parlamentares é se convém o presidente permanecer no cargo.

De acordo com a fonte próxima a Temer, que falou sob condição de anonimato, esse artigo de 23 anos atrás é “esclarecedor” sobre a posição do vice, que também é presidente do PMDB, maior partido da coalizão governista.

“Ele (Temer) não costuma ir contra as próprias teses”, disse a fonte.

Questionada como o vice avaliava a conveniência de Dilma seguir na presidência, a fonte garantiu que Temer “não entrou neste mérito”.

Temer cancelou nesta segunda-feira ida a um evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, onde se encontraria com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e participaria de uma premiação oferecida pelo Grupo Lide, do empresário e pré-candidato tucano à prefeitura de São Paulo, João Dória Jr.

Ele terá, no entanto, uma reunião fechada na Federação do Comércio de São Paulo e tem tido encontros a portas fechadas com lideranças políticas, algumas da oposição.

A fonte ligada ao vice, no entanto, afasta a ideia de que Temer estaria conspirando com os oposicionistas.

“Ele sempre falou com a oposição”, minimizou a fonte, que lembrou que, quando comandava a articulação política de Dilma, Temer chegou a conseguir votos da oposição para aprovar medidas do ajuste fiscal do governo petista.

Sobre a saída do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, muito próximo do vice-presidente, a fonte disse que o pedido de demissão se deu, pois o ministro teve uma indicação à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) retirada pelo Planalto.

O vice-presidente tem reunião prevista, ainda nesta segunda-feira, com peemedebistas no Palácio do Jaburu, em Brasília

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