December 22, 2015 / 12:16 PM / 3 years ago

Presidente argentino anuncia benefício extra aos pobres no Natal para compensar inflação

BUENOS AIRES (Reuters) - O presidente recém-empossado da Argentina, Mauricio Macri, anunciou na segunda-feira que as famílias mais pobres do país irão receber um benefício em dinheiro por ocasião do feriado de Natal para compensar o aumento dos preços após uma desvalorização de quase 30 por cento do peso na semana passada.

Presidente recém-empossado da Argentina, Mauricio Macri, durante evento no Paraguai. 21/12/2015 REUTERS/Jorge Adorno

Desde que tomou posse há dez dias, Macri, um defensor do livre mercado, já cumpriu muitas de suas promessas de campanha, como o corte de impostos de exportação e remoção dos controles de capital e do câmbio, deixando o peso flutuar em uma tentativa de melhorar a competitividade da Argentina.

Críticos afirmam que Macri está ajudando grandes empresas à custa dos pobres, já que as medidas beneficiarão imediatamente exportadores que operam no setor de grãos, no qual o país é uma potência, mas alimentam a inflação, prejudicando os consumidores, especialmente aqueles com baixos rendimentos.

“Temos notado alguns preços de produtos básicos subindo, e é por isso que definimos esta contribuição de 400 pesos, enquanto nós trabalhamos com empresas e sindicatos para que esta transição seja o mais ordeira possível”, disse Macri em entrevista coletiva.

Cerca de 8 milhões de pessoas receberão o auxílio até o final da próxima semana. Vai custar aos cofres públicos cerca de 3,3 bilhões de pesos (257 milhões de dólares).

Economistas disseram que as medidas de Macri provavelmente farão com que a economia do país, a terceira maior da América Latina, se contraia no início do próximo ano, já que a desvalorização dá impulso à inflação já estimada em 25 por cento e afeta o consumo privado.

Mas se o governo conseguir colocar um freio nos aumentos de preços, a economia deverá voltar a crescer até o final de 2016, já que as exportações aumentarão e o investimento começará a inundar o país, resultando em uma forte expansão em 2017.

O peso fechou na segunda-feira em 12,85 por dólar. É agora 23,5 por cento mais fraco do que antes de Macri decidir deixar a moeda flutuar, na quinta-feira.

Reportagem de Sarah Marsh e Jorge Otaola

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