7 de Janeiro de 2016 / às 10:59 / 2 anos atrás

Coreia do Sul quer presença de armamentos estratégicos dos EUA após teste nuclear do Norte

SEUL (Reuters) - A Coreia do Sul iniciou conversações com os Estados Unidos para mobilizar armamentos estratégicos norte-americanos até a península coreana, disse um oficial das Forças Armadas sul-coreanas nesta quinta-feira, um dia depois que a Coreia do Norte disse ter realizado com sucesso um teste com uma bomba de hidrogênio.

Ko Yun-hwa, do serviço meteorológico da Coreia do Sul, aponta no mapa para local onde foram registradas ondas sísmicas após Coreia do Norte ter dito que realizou teste com uma bomba de hidrogênio. 06/01/2016 REUTERS/Kim Hong-Ji

A Coreia do Sul também disse que vai retomar as transmissões de propaganda por meio de alto-falantes direcionados para a Coreia do Norte a partir de sexta-feita, em resposta ao quarto teste nuclear norte-coreano, o que deve irritar seu isolado rival.

Os EUA e especialistas em armamentos levantaram dúvidas sobre se o artefato testado pela Coreia do Norte na quarta-feira seria mesmo uma bomba de hidrogênio, ainda assim, aumentaram as pressões para que sanções adicionais sejam impostas contra o país asiático devido ao programa nuclear secreto norte-coreano.

A explosão subterrânea irritou a China, que não recebeu notificação prévia sobre o teste, embora seja o principal aliado da Coreia do Norte, destacando tensões nas relações entre os dois países.

O teste também alarmou o Japão. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, concordou com o presidente dos EUA, Barack Obama, em uma ligação telefônica, que é necessária uma firme resposta global, informou a Casa Branca.

Obama também conversou com a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, para discutir opções de resposta. Um oficial sul-coreano disse à Reuters que os dois países discutiram o envio de armamentos estratégicos dos EUA para a península coreana, mas não quis dar mais detalhes.

Após o teste anterior da Coreia do Norte com um artefato nuclear, em 2013, Washington enviou dois bombardeiros B-2 capazes de transportar armas nucleares para realizar sobrevoos na Coreia do Sul, numa demonstração de força. À época, a Coreia do Norte respondeu ameaçando com um ataque nuclear contra os EUA.

A Coreia do Sul, tecnicamente um Estado em guerra contra o Norte, disse que não considera utilizar ameaças nucleares como elemento de dissuasão, apesar de pedidos feitos por líderes do partido no poder. É altamente improvável que os EUA reinstalem os mísseis nucleares táticos que retirou da Coreia do Sul em 1991, disseram especialistas.

O teste foi uma “grave violação” de um acordo firmado em agosto pelas duas Coreias para aliviar as tensões e melhorar os laços, disse Cho Tae-yong, uma autoridade de segurança nacional sul-coreana, em comunicado.

Reportagem adicional de Meeyoung Cho, James Pearson, Se Young Lee, Christine Kim, Jee Heun Kahng e Jack Kim, em Seul

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