14 de Janeiro de 2016 / às 11:09 / em 2 anos

Termina epidemia de Ebola na África Ocidental, mas novos casos são possíveis, diz OMS

GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta quinta-feira o fim do mais recente surto do vírus Ebola na Libéria, marcando a primeira vez desde o início da epidemia em 2013 em que não há nenhum caso conhecido da doença na África Ocidental.

Cassius Kollie, de 24 anos, recebe certificado confirmando estar curado do Ebola em Paynesville, na Libéria. 20/07/2015 REUTERS/James Giahyue

A OMS disse, no entanto, ser muito cedo para declarar o fim da epidemia que matou mais de 11.300 pessoas, dos 28.600 casos registrados. Mais surtos são esperados, uma vez que o vírus pode perdurar em sobreviventes por até um ano, e ser transmitido através do sexo e talvez outros meios.

“Todas as correntes de transmissão foram interrompidas na África Ocidental”, disse a OMS em comunicado.

A notícia é um potencial ponto de virada na luta contra a doença, que começou nas florestas do leste Guiné em dezembro de 2013, espalhou-se por Libéria e Serra Leoa e, ao atingir seu pico de contaminação em outubro de 2014, provocou medo em todo o planeta.

Foram registrados casos em outros sete países, incluindo Nigéria, Estados Unidos e Espanha, embora quase todas as mortes tenham sido nos três países da África Ocidental.

Governos e organizações internacionais de saúde se uniram a profissionais de saúde locais para combater a doença, e o surgimento de novos casos minguou devido a campanhas de saúde pública e o esforço para localizar e isolar grupos de risco, assim como o tratamento e sepultamento seguro de pacientes e vítimas.

A declaração desta quinta ocorre porque faz 42 dias desde que o último paciente de Ebola na Libéria testou negativo para a doença. O país havia se declarado livre do vírus duas vezes antes, em maio e em setembro de 2015, mas em cada uma das vezes surgiu um novo foco de contaminação.

“Estamos agora em um período crítico na epidemia de Ebola, à medida em que passamos da administração de casos e pacientes para a administração de riscos residuais e novas infecções”, disse Brice Aylward, representante especial da OMS para a resposta ao Ebola. “Ainda esperamos mais surtos e devemos estar preparados para eles.”

Reportagem de Stephanie Nebehay

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