4 de Novembro de 2016 / às 12:32 / um ano atrás

Sobreviventes de furacão enfrentam limbo enquanto Haiti tenta realizar eleição

JÉRÉMIE, Haiti (Reuters) - O Haiti iniciou sua conturbada campanha presidencial pela quinta-vez em um ano na quinta-feira, mas os moradores de Jérémie, cidade do sudoeste destruída por um furacão, têm preocupações mais urgentes, como sobreviver e encontrar um lar.

Homem ao lado de casa destruída em Jérémie, Haiti. 03/11/2016 REUTERS/Andres Martinez Casares

“Não temos onde viver, o cólera está matando as pessoas”, disse Joselyne Saint Preux, que, assim como dezenas de pessoas, está morando em uma escola que vem sendo usada como abrigo desde que o furacão Matthew arrasou a maior parte da cidade portuária um mês atrás.

“Gostaríamos que as eleições acontecessem, mas precisamos que o governo tome decisões a nosso respeito”, disse Joselyne, de 29 anos, que vivia como vendedora de rua antes do desastre.

O Matthew matou até mil pessoas, e 1,4 milhão continuam precisando de ajuda humanitária, enquanto dezenas de milhares estão amontoadas em escolas e outros edifícios usados como locais de votação, o que desperta dúvidas sobre a viabilidade da votação marcada para 20 de novembro.

A tempestade desencadeou um desastre após o outro. As fazendas férteis da área perderam suas lavouras, causando temores de fome. Os sistemas de água e esgoto foram destruídos, o que levou a um surto de cólera, doença que havia sido praticamente erradicada na região. As enchentes agravaram os danos e provocaram ainda mais mortes. As tensões sociais vieram à tona por causa da distribuição lenta de ajuda.

Acrescente-se a isso a instabilidade política e acusações anteriores de fraude feitas por candidatos derrotados e fica fácil entender por que muitos temem que a nova eleição não seja vista como legítima se for realizada agora.

O furacão veio dias antes das eleições presidencial, parlamentar e local, em certas regiões, marcadas para 9 de outubro, uma repetição parcial de uma votação ocorrida um ano atrás que foi denunciada por líderes políticos como fraudulenta.

Críticos dizem que será impossível fazer tudo que é necessário para realizar uma eleição em pouco mais de duas semanas, mas o presidente haitiano interno, Jocelerme Privert, está sendo pressionado pela oposição a fazê-lo rapidamente para dissipar as suspeitas de que pode estar tentando se manter no cargo ilegitimamente.

Seu governo também quer reiniciar as aulas retirando cerca de 140 mil pessoas de escolas que estão fazendo as vezes de abrigos.

Autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram que as evacuações provavelmente irão demorar mais do que o governo ou os moradores gostariam, já que um plano de remoção ainda está sendo finalizado.

“Obviamente estas pessoas vêm sofrendo muito por terem estado no furacão, e não queremos que sofram mais sendo expulsas”, disse John Ging, diretor do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

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