9 de Novembro de 2016 / às 15:23 / em um ano

Apreensivos, líderes mundiais buscam esclarecimentos sobre políticas de Trump

LONDRES (Reuters) - Líderes de todo o mundo reagiram à vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos com ofertas de trabalhar junto com o próximo presidente dos EUA, mas também demonstraram apreensão sobre a maneira que o republicano irá lidar com uma série de problemas, do Oriente Médio à assertiva Rússia.

Presidente eleito dos EUA, Donald Trump. 09/11/2016 REUTERS/Carlo Allegri

Vários líderes autoritários e de direita elogiaram o empresário bilionário e ex-apresentador de reality show, que conquistou a Presidência do país mais poderoso do mundo contrariando todos os prognósticos.

Trump, que não tem experiência política ou militar, enviou mensagens conciliatórias depois de derrotar a rival democrata Hillary Clinton, prometendo buscar o meio termo, e não o conflito, com os aliados dos EUA.

Durante a campanha, Trump expressou admiração pelo presidente russo, Vladimir Putin, questionou princípios centrais da Otan e sugeriu que o Japão e a Coreia do Sul deveriam desenvolver armas nucleares para arcarem com seus próprios problemas de defesa.

Putin foi um dos primeiros a dar os parabéns depois que Trump declarou vitória.

Os laços entre Washington e Moscou se tensionaram devido aos conflitos na Ucrânia e na Síria, e alegações de ataques cibernéticos russos emergiram durante a campanha eleitoral.

“Ouvimos as declarações de campanha do futuro presidente dos EUA sobre a restauração das relações entre a Rússia e os Estados Unidos”, disse Putin.

“Não é um caminho fácil, mas estamos prontos para fazer nossa parte e fazer tudo para levar as relações russas e norte-americanas de volta a um caminho estável de desenvolvimento”, acrescentou.

Entre outros temas que causam preocupação entre os aliados estão as promessas de Trump de desfazer um acordo global de combate à mudança climática, descartar pactos comerciais que ele diz serem ruins para os trabalhadores dos EUA e renegociar o acordo nuclear entre Teerã e potências mundiais que levou a um abrandamento nas sanções ao Irã.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif, exortou Trump a continuar comprometido com o entendimento. Já o presidente do Irã, Hassan Rouhani, disse que o resultado da eleição não terá nenhum efeito sobre as políticas de Teerã e que o acordo nuclear com as seis potências globais não pode ser rejeitado por um único governo.

Ainda no Oriente Médio, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que teve um relacionamento ruim com o presidente dos EUA, Barack Obama, disse esperar alcançar um “novo patamar” nos laços bilaterais com o governo Trump.

Obama e Netanyahu se desentenderam a respeito dos assentamentos israelenses, enquanto Trump disse que eles deveriam se expandir.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, também parabenizou Trump, mas analistas disseram que seu governo pode ser profundamente negativo para as aspirações palestinas.

Apesar da retórica conflituosa de Trump sobre os muçulmanos durante a campanha, incluindo ameaças de proibir sua entrada nos EUA, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, disse ter esperança de que a eleição do magnata injete vida nova nas relações entre os dois países.

No Reino Unido, onde o triunfo do republicano ecoou o referendo de junho passado, no qual os eleitores mostraram insatisfação com o establishment político e decidiram se separar da União Europeia, a premiê Theresa May disse que o “relacionamento duradouro e especial” entre os aliados irá permanecer intacto.

Na Ásia, o presidente da China, Xi Jinping, enviou uma mensagem de tom conciliatório, dizendo a Trump que Pequim e Washington compartilham responsabilidades para promover o desenvolvimento e a prosperidade globais.

“Atribuo grande importância ao relacionamento China-EUA, e espero trabalhar com você para manter os princípios de não-conflito, não-confrontação, respeito mútuo e cooperação boa para todos”, disse Xi a Trump, que na campanha afirmou que iria enfrentar a China e taxar as importações chinesas para deter a valorização da moeda.

O presidente Michel Temer cumprimentou Trump por telegrama e afirmou “estar certo” de que será possível trabalhar junto com o republicano “para estreitar ainda mais os laços de amizade e cooperação que unem nossos povos”, segundo o Itamaraty.

“O Brasil e os Estados Unidos são duas grandes democracias que compartilham valores e mantêm, historicamente, fortes relações nos mais diferentes domínios”, escreveu o presidente.

Redações da Reuters na Europa, Ásia e Américas

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