23 de Novembro de 2016 / às 14:17 / em um ano

Vitória de Trump com menor votação de minorias em décadas alimenta divisões nos EUA

Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, durante evento em Manhattan. 09/11/2016 REUTERS/Jonathan Ernst

WASHINGTON (Reuters) - Donald Trump conquistou a Presidência dos Estados Unidos com menos apoio de eleitores negros e hispânicos do que qualquer presidente em ao menos 40 anos, segundo uma análise de dados da votação feita pela Reuters, o que sublinha as divisões nacionais profundas que vêm alimentando incidentes de confrontação racial e política.

Trump foi eleito com 8 por cento do voto negro, 28 por cento do voto hispânico e 27 por cento do voto de norte-americanos de origem asiática, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada no dia da eleição.

Entre os eleitores negros, seu desempenho foi comparável aos 9 por cento obtidos por George W. Bush em 2000 e Ronald Reagan em 1984. Mas Bush e Reagan se saíram muito melhor com o eleitorado hispânico, recebendo 35 e 34 por cento, respectivamente, segundo dados de boca de urna compilados pelo apartidário Centro Roper de Pesquisa de Opinião Pública.

E o desempenho de Trump entre norte-americanos de origem asiática foi o pior de qualquer candidato presidencial vencedor desde que a medição desse grupo demográfico começou, em 1992.

A polarização racial por trás da vitória de Trump ajudou a preparar o terreno para tensões que emergiram repetidamente desde a eleição – em comemorações de supremacistas brancos, em manifestações anti-Trump e passeatas de direitos civis e em centenas de crimes de ódio racistas, xenofóbicos e antissemitas documentados pelo Centro Legal de Pobreza do Sul (SPLC, na sigla em inglês), que monitora movimentos extremistas.

O SPLC relata a ocorrência de 701 incidentes de “assédio e intimidação detestáveis” entre o dia seguinte à eleição de 8 de novembro e o dia 16, com um pico de incidentes do tipo imediatamente após a votação.

Sinais indicam que o espírito de confrontação está no ar. Os Leais Cavaleiros Brancos da Ku Klux Klan, grupo branco separatista contra os negros, judeus e outras minorias do país, planeja um evento extraordinário na Carolina do Norte no dia 3 de dezembro para comemorar a eleição de Trump.

Grupos esquerdistas e anarquistas conclamaram protestos organizados para interromper a posse do presidente eleito no dia 20 de janeiro, e uma “Marcha das Mulheres Sobre Washington”, marcada para o dia seguinte, deve atrair centenas de milhares em protesto contra a presidência de Trump.

A questão racial se exacerbou na política norte-americana durante os dois mandatos do atual presidente, Barack Obama, “mas havia uma tentativa entre as pessoas, entre os partidos, de manter estas tensões sob a superfície”, disse Jamila Michener, professora-assistente de governança da Universidade Cornell. 

A retórica anti-imigrante e antimuçulmana de Trump “trouxe essas divisões para o primeiro plano; ela despertou pessoas da direita, que se sentiram empoderadas, e despertou pessoas da esquerda, que a viram como um ameaça”, acrescentou.

Reportagem adicional de Chris Kahn, em Nova York

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