24 de Novembro de 2016 / às 13:27 / em um ano

Colômbia e Farc irão assinar novo acordo de paz sem alarde e sob protestos

BOGOTÁ (Reuters) - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder rebelde marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, irão assinar um acordo de paz novo e revisado nesta quinta-feira em uma cerimônia muito mais sóbria do que o primeiro pacto, que foi rejeitado por milhões de colombianos em um referendo realizado no mês passado.

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, faz pronunciamento em Bogotá. 22/11/2016 Presidência da Colômbia/Divulgação via Reuters

O novo acordo para encerrar 52 anos de guerra foi preparado em pouco mais de um mês depois que o documento original foi recusado de forma surpreendente em uma votação no dia 2 de outubro por uma pequena diferença de eleitores que o considerou leniente demais com a guerrilha.

Bogotá e as Farc passaram quatro anos em Havana, em Cuba, trabalhando em um entendimento para pôr fim a uma guerra de 52 anos que matou mais de 220 mil pessoas e deslocou milhões na nação andina.

O líder opositor e ex-presidente Álvaro Uribe liderou a iniciativa de rejeitar o pacto original e quer mudanças mais profundas na nova versão. Ele está furioso porque Santos irá ratificar o acordo no Congresso, em vez de convocar uma nova consulta popular, clamou por protestos de rua e pode boicotar o debate congressional sobre o novo pacto.

A cerimônia de assinatura irá marcar a contagem regressiva de seis meses para que o movimento rebelde de 7 mil membros abandone as armas e forme um partido político.

Muitos dos habitantes majoritariamente conservadores da Colômbia estão revoltados porque, assim como o texto original, o novo documento não atribui penas de prisão para líderes das Farc que cometeram crimes de guerra, como sequestros e massacres, e permite que exerçam cargos políticos.

A assinatura discreta no Teatro Colón de Bogotá diante de uma maioria de membros do governo e dignitários locais irá destoar muito da comemoração de setembro, quando a cidade litorânea de Cartagena acolheu líderes mundiais e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. 

Santos, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz no mês passado por seu empenho em terminar o conflito com o grupo insurgente, quer oficializar o acordo o mais rápido possível para não colocar em risco o frágil o cessar-fogo bilateral.

O documento ampliado e altamente técnico de 310 páginas só parece fazer pequenas modificações no texto original, como esclarecer direitos de propriedade particular e detalhar mais explicitamente como os rebeldes serão confinados em áreas rurais por crimes cometidos durante a guerra.

As Farc, que começaram como uma rebelião contra a pobreza rural, enfrentaram uma dúzia de governos, além de grupos paramilitares de direita.

Um fim à guerra com as Farc dificilmente irá acabar com a violência na Colômbia, já que o negócio lucrativo da cocaína deu ensejo a gangues criminosas e traficantes perigosos.

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