28 de Novembro de 2016 / às 19:37 / em um ano

Dezenas de milhares de cubanos prestam últimas homenagens a Fidel Castro

HAVANA (Reuters) - Inflamados por uma salva de 21 tiros que ressoou por toda Havana, dezenas de milhares de cubanos prestaram nesta segunda-feira suas últimas homenagens a Fidel Castro, que liderou uma revolução esquerdista, governou por meio século e resistiu aos Estados Unidos durante a Guerra Fria.

Estudantes prestam homenagem a Fidel Castro em Havana. 28/11/2016. REUTERS/Alexandre Meneghini

Fidel morreu na sexta-feira, aos 90 anos, uma década depois de entregar o poder a seu irmão Raúl Castro devido a problemas de saúde. Embora estivesse aposentado da liderança ativa, sua morte removeu qualquer impedimento para que Raúl busque relações mais profundas com Washington se o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, se animar com a ideia de uma melhora nos laços.

Fidel era admirado por esquerdistas e por pessoas do mundo em desenvolvimento que viam nele um patrono revolucionário dos pobres, mas era satanizado por aqueles que viam nele um ditador que oprimiu os cubanos e arruinou a economia graças ao socialismo.

“Para mim, ele continua vivendo nos corações dos cubanos”, disse Misleidys Rivero, de 47 anos, funcionária de um posto de combustível que exibia uma pequena bandeira de Cuba na mão. Ela chegou à Praça da Revolução de Havana cedo nesta segunda-feira para estar entre os primeiros da fila.

O governo convidou as pessoas para irem à praça para uma comemoração de dois dias que começou com tiros de canhão que foram ouvidos em boa parte da capital.

Fidel foi cremado no sábado, e o governo decretou um luto de nove dias. Suas cinzas serão levadas em um cortejo para um local de repouso definitivo em Santiago de Cuba, a cidade do leste cubano na qual ele deu início à revolução.

Apesar de muitos cubanos relatarem uma certa pressão para comparecer aos vários eventos preparados pelo regime e de Fidel ser odiado por muitos cubanos que fugiram para Miami, ele também era amado por muitos conterrâneos, e as pessoas pareciam verter lágrimas sinceras.

Entre os consternados estava Belkis Meireles, engenheiro civil de 65 anos que chegou duas horas antes do início das cerimônias na Praça da Revolução.

“Estou muito triste. Vim prestar homenagem a nosso pai, amigo, comandante”, disse Meireles com voz contida. “Ele foi um homem que nos libertou e enviou médicos e professores para todos os cantos do mundo”.

Opositores políticos se mantiveram distantes ou guardaram silêncio, permitindo que os admiradores dissessem adeus a um homem que elevou a ilha caribenha ao palco mundial durante a Guerra Fria forjando uma nação comunista a meros 145 quilômetros do Estado norte-americano da Flórida e depois resistindo aos longos esforços de Washington para forçar mudanças.

“Ele não era perfeito. Ninguém é”, disse Roberto Videaux, aposentado de 72 anos que mesmo assim tem orgulho do líder recém-falecido. “Fidel foi um professor, um patriota”.

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