28 de Novembro de 2016 / às 22:57 / em um ano

Temer diz que falta de instituições sólidas faz com que instabilidade abale investidor

BRASÍLIA (Reuters) - Em discurso a empresários, na noite desta segunda-feira, o presidente Michel Temer afirmou que a falta de instituições sólidas no Brasil faz com que qualquer instabilidade abale os investidores, ao mesmo tempo que garantiu que essas turbulências são passageiras, não devem ser levadas a sério e pediu que confiem no governo.

Presidente Michel Temer após entrevista no Palácio do Planalto, em Brasília 27/11/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

“É interessante que de vez em quando há uma certa instabilidade institucional. Um fato ou outro, como não temos instituições sólidas, qualquer fatozinho abala as instituições e o investidor fica um pouco assustado. O nacional e muito maiormente o estrangeiro”, disse Temer durante a abertura de uma série de debates sobre o futuro do Brasil organizados por uma consultoria empresarial.

O presidente afirmou, ainda, que os empresários estrangeiros estão “ansiosos” para investir no Brasil, mas as crises institucionais abalam a segurança.

“Mas essas instabilidades são passageiras e não podem ser levadas a sério. O que tem de ser levado a sério é o país, e nós estamos levando adiante, nesse momento difícil do nosso país. Por isso eu peço essa compreensão à ideia que os senhores podem investir, porque o Estado brasileiro e, em particular o governo brasileiro, não os decepcionará”, defendeu.

Temer não citou a crise mais recente, que resultou na saída do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, acusado de usar a estrutura do governo para defender interesses privados, no caso a liberação de um prédio em Salvador onde tem apartamento.

O próprio presidente se viu envolvido no caso, ao tentar convencer o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero a enviar o processo que envolvia o empreendimento na Bahia - suspenso pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - para a Advocacia-Geral da União.

Temer alega que estava “arbitrando um conflito”, mas tem sido acusado pela oposição de advocacia administrativa. Nesta segunda-feira, o PSOL apresentou um pedido de impeachment contra o presidente na Câmara dos Deputados, alegando crime de responsabilidade.

REFORMAS

No discurso a empresários, Temer voltou a defender as reformas da Previdência e trabalhista. Afirmou que enviará ainda este ano a reforma da Previdência e repetiu que as relações trabalhistas precisam mudar.

“Hoje tem de prevalecer a lógica do acordado sobre o legislado. As vantagens são manter o emprego e a arrecadação”, afirmou. “Essas medidas são o possível para sairmos da recessão. São medidas que vão gerando confiança”, disse.

Reportagem de Lisandra Paraguassu

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