1 de Dezembro de 2016 / às 14:02 / um ano atrás

Investigação aponta que avião da Chapecoense estava sem combustível no momento da queda

Destroços de avião da Chapecoense que caiu perto de Medellin. 29/11/2016 REUTERS/Fredy Builes

MEDELLÍN, Colômbia (Reuters) - O avião que caiu na Colômbia e matou 71 pessoas, incluindo a maior parte da equipe da Chapecoense, estava sem combustível no momento do impacto, de acordo com as descobertas iniciais de autoridades colombianas de aviação, o que motivou uma investigação sobre os motivos de a aeronave ter voado nessas condições.

Os comentários de um funcionário da autoridade de aviação civil da Colômbia na noite de quarta-feira confirmaram as palavras finais do piloto boliviano Miguel Quiroga para a torre de comando no aeroporto de Medellín em áudio obtido pela mídia colombiana.

“Quando chegamos ao local do acidente e pudemos inspecionar os destroços, confirmamos que a aeronave não tinha combustível no momento do impacto”, disse o secretário de segurança aérea da autoridade de aviação civil da Colômbia, Freddy Bonilla.

Em uma gravação das palavras finais do piloto se pode ouvir ele dizer à torre de controle que o avião estava em “falha total, falha elétrica total, sem combustível”.

O piloto pediu permissão urgente para aterrissar pouco antes de o áudio ficar mudo. O avião BAe 146, produzido pela BAE Systems, bateu em uma área montanhosa perto da cidade de La Unión, próxima a Medellín.

Somente seis pessoas a bordo do voo da companhia boliviana Lamia sobreviveram, incluindo três jogadores do time da Chapecoense que seguia para a final da Copa Sul-Americana, no maior jogo da história da equipe. Além dos atletas, também sobreviveram um jornalista e dois tripulantes.

Normas de voos internacionais exigem que aeronaves levem combustível suficiente para que possam voar por 30 minutos após chegarem ao destino final, caso tenham que voar em círculos antes do pouso ou voar para outro aeroporto.

“Neste caso, infelizmente, a aeronave não tinha combustível suficiente para cumprir as normas para contingência”, disse Bonilla em Medellín. “Uma das teorias que estamos trabalhando é que por não termos encontrado combustível no local da colisão ou nos tubos de alimentação, a aeronave sofreu queda por falta de combustível”.

Na quarta-feira, o diretor-presidente da Lamia, Gustavo Vargas, disse que fica a critério do piloto decidir se reabastece durante o trajeto. Segundo ele, o avião deveria ter combustível suficiente para cerca de quatro horas e meia de voo – mais ou menos, dependendo do clima.

“As condições climáticas influenciam muito, mas ele tinha alternativas em Bogotá em caso de insuficiência de combustível. Ele tinha todo o poder para ir reabastecer. É uma decisão que o piloto toma”, afirmou Vargas a repórteres em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Especialistas brasileiros viajaram à Colômbia para se juntar às autoridades locais e revisar as caixas-pretas do avião da companhia Lamia, que foram encontradas no local do acidente, próximo à cidade de La Unión.

O especialista colombiano Bonillo disse que as condições climáticas em Medellín na ocasião eram ideais para um pouso bem-sucedido.

A Direção-Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia informou nesta quinta-feira que suspendeu de imediato o certificado de operação da Lamia devido ao acidente.

“ASPECTO HUMANITÁRIO”

Houve quem questionasse por que a Chapecoense usou uma empresa de voos fretados em vez de uma companhia aérea comercial.

Segundo o vice-presidente do clube, Luiz Antônio Palaoro, a Lamia foi escolhido por ter um histórico de transportar times de futebol pela América do Sul, e a Chapecoense já a tinha utilizado antes.

“Estamos lidando com o aspecto humanitário das famílias e das vítimas”, disse Palaoro a repórteres em Chapecó. “Depois disso, teremos que pensar em reestruturar o time e também nas medidas legais apropriadas”.

Entre os jogadores sobreviventes, o goleiro Jakson Follmann teve a perna direita amputada, o zagueiro Hélio Neto está na UTI com traumatismo grave no crânio, e lesões no tórax e nos pulmões, e o lateral Alan Ruschel passou por uma cirurgia na coluna.

Dois membros da tripulação boliviana, Ximena Suárez e Erwin Tumiri, sofreram contusões sem gravidade, e o jornalista Rafael Valmorbida está em tratamento intensivo por causa de múltiplas fraturas nas costelas que causaram a falência parcial de um pulmão.

As equipes de resgate recuperaram todos os corpos, que serão enviados ao Brasil e à Bolívia.

Todos os corpos dos brasileiros mortos na tragédia foram identificados e estão sendo preparados para serem transportados de volta ao Brasil em uma aeronave militar, de acordo com o diretor de Comunicação do clube catarinense, Andrei Copetti.

Os caixões chegarão a Chapecó por volta do meio-dia de sexta-feira, segundo Copetti, e serão levados diretamente para o estádio do clube, a Arena Condá, onde será realizado um velório coletivo com a presença esperada do presidente Michel Temer.

Por Helen Murphy, em Bogotá; Reportagem adicional de Julia Symmes Cobb, em Medellín, e Brad Haynes, em Chapecó

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