3 de Dezembro de 2016 / às 13:02 / em um ano

Em Chapecó, Temer presta homenagem às vítimas de tragédia

CHAPECÓ (Reuters) - O presidente Michel Temer presidiu uma homenagem em Chapecó, neste sábado, enquanto tropas da Força Aérea descarregavam 50 caixões enviados da Colômbia, local do desastre que matou 71 pessoas, incluindo jogadores da Chapecoense.

A cidade, com prédios envoltos no verde da cor do clube, terá um velório na Arena Condá, estádio do clube.

O desastre de segunda-feira chocou fãs de futebol do mundo inteiro e mergulhou o Brasil em luto. O avião regional BAe146, operado pela companhia boliviana Lamia, havia informado via rádio que estava ficando sem combustível antes de cair numa colina próxima da cidade colombiana de Medellín.

Apenas seis pessoas sobreviveram, incluindo três jogadores da futebol Chapecoense, que iriam disputar a primeira de duas partidas da final da Copa Sulamericana.

Relatos na mídia de que o avião, que circulou fora de Medellin por 16 minutos, enquanto outro jato fez um pouso de emergência, tinha apenas combustível suficiente para o voo da Bolívia ultrajaram parentes das vítimas.

O presidente boliviano Evo Morales prometeu tomar “medidas drásticas” para determinar as causas do acidente. A Bolívia suspendeu a licença operacional da Lamia e substituiu a administração da autoridade aeronáutica nacional.

Em Chapecó, dezenas de fãs mantiveram vigília durante uma noite chuvosa no estádio de Chapecoense.

Na madrugada, os fãs se alinhavam ao redor do quarteirão e começaram a entrar no estádio, cobertos por bandeiras e pela equipe verde e branca, quando as portas se abriram logo depois.

Um santuário improvisado com flores frescas e cartazes e fãs de outras partes do Brasil se juntaram aos moradores, acenando bandeiras de outras equipes em solidariedade.

Fãs disseram que o velório seria fechado para uma cidade cuja expectativa pelo jogo de quarta-feira se transformou em angústia.

“Só vou acreditar quando vermos os caixões e as famílias”, disse Pamela Lopes, de 29 anos, que chegou à vigília na noite de sexta-feira. “No começo houve tumulto, mas agora ficou uma grande tristeza.”

Cerca de 100 mil fãs, cerca de metade da população da cidade, eram esperados para participar, incluindo Gianni Infantino, presidente da Fifa, entidade máxima do futebol.

Temer presidiu uma breve cerimônia no aeroporto, onde ofereceu condolências às famílias. Não estava claro se Temer, diante de possíveis protestos políticos, assistiria ao velório.

Em resposta a manifestações de apoio de fãs de futebol e clubes pelo mundo, a Chapecoense pendurou uma enorme bandeira preta da parede externa do seu estádio.

“Procuramos uma palavra para agradecer toda a bondade e encontramos muitas”, diz, seguido pelas palavras “obrigado” em mais de uma dúzia de línguas.

Os trabalhadores colocaram bandeiras gigantes no campo, decoradas com flores brancas, carregando os logotipos de Chapecoense e do Atlético Nacional, equipe colombiana que realizou uma cerimônia na quarta-feira.

Cleusa Eichner, 52, foi ao estádio para a vigília, mas foi cauteloso sobre ver os caixões dos jogadores.

“Eu ainda posso ver aqueles jogadores entrando com seus filhos nos braços, prefiro manter essa imagem na minha cabeça, manter essa felicidade, do que trocá-la por nada”.

A mídia, citando um documento interno, relatou que um funcionário da agência de aviação da Bolívia havia levantado preocupações sobre o plano de vôo da Lamia.

O funcionário exortou a companhia aérea a ter uma rota alternativa porque o trajeto de quatro horas e 22 minutos era a mesma da autonomia máxima de voo do avião.

Um documento colombiano da aviação civil visto pela Reuters confirmou que o tempo do voo foi ajustado para ser de quatro horas e 22 minutos.

O presidente-executivo da Lamia, Gustavo Vargas, disse na quarta-feira que o avião foi inspecionado corretamente antes da partida e que deveria ter combustível suficiente por cerca de 4 horas e meia. Disse que era responsabilidade do piloto decidir se pararia para reabastecer.

(Reportagem de Brad Haynes)

((Tradução Redação São Paulo; + 55 11 5644-7712))

REUTERS AAP

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