2 de Janeiro de 2017 / às 16:15 / em 9 meses

Cuba realiza parada e dá demonstração de força poucos dias antes da posse de Trump nos EUA

Soldados cubanos marcham para marcar Dia das Forças Armadas, em Havana. 02/01/1970 REUTERS/Alexandre Meneghini

HAVANA (Reuters) - Cuba realizou na segunda-feira o desfile de tropas e centenas de milhares de cidadãos através de sua emblemática Praça da Revolução em um tradicional show de espírito de luta nacionalista em um momento em que o país inicia um ano que promete ser difícil política e economicamente.

Uma réplica do iate Granma, que levou os irmãos Castro, Ernesto “Che” Guevara e outros do México a Cuba para iniciar a revolução em 1959, rodeado de estudantes com uniformes pioneiros vermelhos e brancos, liderou o evento.

As tropas que empunhavam rifles automáticos seguiram um mar de cubanos portando bandeiras e banners.

A chefe da Federação de Estudantes Universitários, Jennifer Bello Martinez, abriu a marcha com um discurso ardente enquanto o presidente Raúl Castro e outros líderes assistiam e acenavam da base de um enorme monumento ao herói da independência José Martí.

“Cuba não abandonará um só de seus princípios... nem sua independência e sua soberania”, disse ela.

O desfile militar e a marcha normalmente ocorrem a cada cinco anos no dia 2 de dezembro para marcar o dia das Forças Armadas e comemorar a chegada do Granma, mas foi adiado por um mês devido à morte do líder cubano Fidel Castro no final de novembro.

O evento, anunciado pela primeira vez em abril passado, adquiriu um significado adicional desde a eleição dos Estados Unidos de 8 de novembro.

O presidente eleito Donald Trump, que toma posse no dia 20 de janeiro, tem ameaçado desmantelar uma distensão com Cuba, iniciada pelo presidente Barack Obama há dois anos, a menos que receba um “acordo melhor” e recorreu à retórica hostil do passado quando se referiu à ilha comunista do Caribe.

“Nós estamos preparados para o conflito com os EUA, sempre estivemos, mas espero que Trump siga o caminho de Obama para a normalização”, disse Marcial Garcia, de 70 anos, que assistiu ao desfile e ainda faz trabalho logístico para o Exército.

A ameaça à gradual e ainda frágil reaproximação não poderia vir em um pior momento para Cuba, que mergulhou em recessão com a piora da situação econômica da Venezuela, sua aliada estratégica.

Reportagem de Marc Frank

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