16 de Janeiro de 2017 / às 12:41 / em um ano

Detentos iniciam novo motim em presídio do RN onde 26 morreram no fim de semana, diz PM

(Reuters) - Detentos da prisão de Alcaçuz, na grande Natal, começaram na manhã desta segunda-feira uma nova rebelião no local depois da morte de 26 presos no fim de semana, informou a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, acrescentando que homens da tropa de choque e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) estavam ingressando na penitenciária para tentar conter o motim.

Detentos carregam corpos de mortos após rebelião em presídio no Rio Grande do Norte. 15/01/2017 REUTERS/Josemar Goncalves/

“Começou agora em Alcaçuz de novo. A tropa de choque e o Bope estão lá nesse exato momento. Começou agora e nossos homens estão entrando no presídio para controlar a situação”, disse por telefone o major da PM Eduardo Franco, chefe da assessoria de comunicação da polícia.

Além da rebelião em Alcaçuz, também houve um motim nesta segunda de manhã no Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato, também em Natal, mas esse foi controlado em cerca de duas horas e não houve vítimas, de acordo com a PM.

O presídio de Alcaçuz foi cenário de uma violenta rebelião no fim de semana, que teve início no sábado, na qual 26 detentos foram mortos, aumentando o caos no superlotado sistema penitenciário do país. Mais de 130 pessoas já morreram em brigas entre facções criminosas desde o início do ano em prisões do país.

De acordo com autoridades do Estado do Rio Grande do Norte, o motim do fim de semana começou quando membros de uma facção criminosa invadiram um pavilhão onde rivais descansavam. Investigadores forenses irão começar a identificar os corpos nesta segunda-feira, acrescentaram.

Como em rebeliões anteriores neste ano em outros Estados, alguns detentos foram decapitados e alguns corpos podem ter sido parcialmente queimados, de acordo com uma fonte da área de segurança do Estado.

A polícia identificou prisioneiros que lideraram o distúrbio, e eles serão transferidos para outras unidades, segundo o secretário de Justiça e Cidadania do Estado, Wallber Virgolino.

Por trás do derramamento de sangue em algumas prisões do país está uma disputa crescente entre algumas das mais poderosas facções criminosas pelo tráfico de drogas. As rebeliões mais mortais em décadas expuseram a crescente guerra entre o Primeiro Comando da Capital, ou o PCC, de São Paulo, e o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro.

De acordo com site de notícias G1, o PCC está por traz dos assassinatos em Alcaçuz, que tem cerca de 1.150 presos e capacidade para 620 detidos.

No domingo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em nota, lamentou as mortes e disse que autorizou que parte de 13 milhões de reais do Fundo Penitenciário Nacional liberados no final do ano passado seja utilizada “em construções que reforcem a segurança no presídio”.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro; Reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal, em São Paulo

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