19 de Janeiro de 2017 / às 11:39 / 9 meses atrás

Sócios querem que Vale tenha capital disperso em 6 anos, dizem fontes

SÃO PAULO (Reuters) - Os principais sócios da Vale estão perto de aprovar um plano para transformar a mineradora numa empresa de capital disperso em seis anos, quando o acordo de acionistas deixar de existir, disseram duas fontes familiarizadas com o plano.

Sede da Vale, no centro do Rio de Janeiro. 28/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares/File Photo

A mineradora confirmou nesta quinta-feira que seus acionistas estão “em tratativas” para elaborar um novo acordo de acionistas, que poderia envolver uma “possível proposta de reestruturação societária e de aperfeiçoamento da estrutura de governança” da companhia.    Segundo com as fontes, que pediram anonimato, as negociações em andamento para renovar o acordo entre Bradespar, Mitsui e fundos de pensão do país pode ser concluída até o fim de fevereiro ou início de março.    O atual acordo de acionistas de 20 anos termina em abril. Bradespar e a Previ propuseram que todo o capital da Vale seja composto por ações ordinárias, um primeiro passo para a mineradora se transformar numa empresa com capital disperso, disse a primeira fonte.    Se o acordo for renovado, o plano seria apresentado ao conselho por volta de março e aos acionistas logo depois, disseram as fontes. O plano previne Bradespar e Mitsui de pagar um prêmio maior à Previ, maior acionista da Vale, para manter a partilha de poderes de decisão, disseram as fontes.    Até agora, não há discussões entre os maiores sócios para substituir o presidente-executivo Murilo Ferreira, cujo mandato expira no meio do segundo trimestre, disseram as fontes. Uma das pessoas disse que Ferreira poderia ficar mais um ano pelo menos.

As assessorias de imprensa da Bradespar, braço do Bradesco, e da Previ não comentaram de imediato. Esforços para falar a assessoria de imprensa da Mitsui fora do horário comercial no Japão não tiveram sucesso.    A melhora da estrutura de governança decorrente de um novo acordo de acionistas poderia alavancar as ações da Vale, tirando a diferença em relação às empresas globais de mineração, disse o analista BTG Pactual Leonardo Correa. A medida pode liberar até 18 bilhões de dólares em valor para os acionistas, disse ele.    As ações preferenciais da Vale subiram 3,3 por cento na quarta-feira, enquanto as ações ordinárias ganharam 5 por cento. O prêmio das ações ordinárias sobre as preferenciais caiu para o piso em meses após o jornal Valor Econômico publicar sobre o acordo na quarta-feira.    Outros membros do bloco que controla a companhia via holding Valepar incluem os fundos Fundação Petros, Funcef e Funcesp, além do BNDES.    A estratégia seria replicar o movimento para tirar a Embraer das mãos do governo em 2006, disseram as fontes. No caso da Embraer, a conversão de ações foi feita junto com o fim do acordo de acionistas da companhia, mas o governo manteve a “golden share”, que veta qualquer tentativa de aquisição hostil.    O governo brasileiro tem uma golden share na Vale.

Com reportagem adicional de Luciano Costa

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