20 de Janeiro de 2017 / às 19:13 / em 9 meses

Dólar cai e fecha a R$3,1825 após discurso sem surpresas de Trump

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar encerrou a sexta-feira em queda ante o real, reforçada pelo recuo da moeda no exterior ante outras divisas após Donald Trump não ter trazido novidades em seu discurso de posse como novo presidente dos Estados Unidos.

Pacote de notas de cinco dólares dos Estados Unidos é inspecionado em Washington, nos EUA 26/03/2015 REUTERS/Gary Cameron/File Photo

Durante o pregão, os desdobramentos da morte do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki, foram monitorados pelos investidores, diante das incertezas que cercam o futuro da operação.

O dólar recuou 0,55 por cento, a 3,1825 reais na venda, depois de marcar 3,1731 reais na mínima após a posse de Trump. O dólar futuro caía cerca de 0,53 por cento.

A moeda teve queda pela quinta semana consecutiva ante o real, de 1,21 por cento --na semana passada, no entanto, o recuo foi muito tímido, de 0,01 por cento.

“O discurso do Trump não trouxe nada que justificasse o dólar mudar a trajetória em que já estava. E lá fora a moeda também passou a cair ante outras divisas, reforçando essa tendência”, comentou um profissional da mesa de câmbio de uma corretora doméstica.

No exterior, o dólar caía ante uma cesta de moedas e divisas como o peso mexicano e a lira turca.

Em sua fala, Trump fez um discurso nacionalista no qual declarou que todo comércio, imposto, imigração e relações exteriores serão feitos em seu governo para beneficiar os norte-americamos.

A efetivação de suas promessas de campanha, com uma política econômica inflacionária, poderia obrigar o Federal Reserve, banco central norte-americano, a elevar ainda mais os juros. Se isso se concretizar, recursos aplicados em outras praças, como a brasileira, podem migrar para os Estados Unidos em busca de rendimentos maiores.

Mais cedo, havia alguma expectativa de um movimento defensivo por conta de Trump, mas isso não aconteceu. Internamente, a morte de Zavascki criou grandes incertezas sobre o futuro da operação Lava Jato, sobretudo no que se refere ao substituto que dará andamento à operação no STF.

A expectativa era de que o ministro decidisse em fevereiro se homologaria ou não o acordo de delação premiada de 77 executivos da Odebrecht. O acordo é apontado como tendo potencial explosivo para boa parte da classe política que teve o nome citado pelos executivos da empreiteira.

“A leitura é de que traz um componente de especulação, pode alterar o rumo das investigações e isso não é bom para a credibilidade. Vai fazer preço nos ativos em algum momento”, afirmou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente o lote de 15 mil contratos de swap cambial tradicional --equivalente à venda futura de dólares-- ofertado em leilão desta sexta-feira para rolagem do vencimento de fevereiro.

Com este leilão, o BC já vendeu o equivalente a 2,7 bilhões de dólares para rolar o total de 6,431 bilhões de dólares que vencem em fevereiro.

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