27 de Janeiro de 2017 / às 18:41 / em 9 meses

Putin e Trump devem discutir sanções à Ucrânia em telefonema, diz Casa Branca

WASHINGTON/MOSCOU (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provavelmente irão debater as sanções que Washington impôs a Moscou devido ao conflito na Ucrânia quando os dois líderes conversarem por telefone no sábado, disse uma assessora do primeiro escalão da Casa Branca.

Putin durante entrevista em Moscou. 17/1/2017. REUTERS/Sergei Ilnitsky

Anteriormente Trump disse que, como parte da reaproximação que busca com a Rússia, está preparado para rever as sanções que seu antecessor, Barack Obama, impôs aos russos em 2014 em reação à anexação da península ucraniana da Crimeia.

Essa medida irá encontrar resistência de figuras influentes em Washington e de líderes estrangeiros que acreditam que as sanções só deveriam ser amenizadas se Moscou atender as condições ocidentais em relação à Ucrânia.

Entre as sanções dos EUA que vêm prejudicando mais a Rússia estão aquelas que visam seus serviços financeiros, já que limitam a capacidade da economia russa de elevar sua dívida, e suas empresas de energia.

No mesmo dia em que tratar com Putin, Trump terá uma conversa telefônica com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e com o presidente da França, François Hollande, informou o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, em um tuíte. Tanto Hollande quanto Merkel argumentaram que é prematuro suavizar as sanções.

A principal assessora de Trump, Kellyanne Conway, disse em entrevistas a redes de televisão norte-americanas nesta sexta-feira que Trump e Putin provavelmente irão debater uma variedade de temas, inclusive esforços conjuntos para combater o terrorismo.

Solicitada no programa “Fox & Friends”, do canal FOX News, a comentar as insinuações de que as sanções do governo Obama irão estar na pauta, Kellyanne respondeu: “Tudo isso está sendo cogitado”.

A conversa será a primeira entre os dois líderes desde que Putin ligou para Trump para cumprimentá-lo por sua vitória eleitoral em novembro.

Trata-se de um primeiro passo rumo ao que Trump classificou como uma normalização das relações depois de três anos de tensões desencadeadas pelo conflito ucraniano.

Trump e Putin nunca se encontraram, e não está claro como suas personalidades muito diferentes irão se combinar. O primeiro é um empresário extravagante do setor imobiliário que muitas vezes age por instinto, enquanto o segundo é um ex-espião soviético que calcula cada passo metodicamente.

Ambos, porém, falaram sobre encerrar a inimizade que colocou o relacionamento entre as duas potências em seu pior momento desde a Guerra Fria. Trump está sofrendo um enorme escrutínio de críticos que afirmam que ele foi eleito com ajuda da inteligência russa – uma alegação que ele nega.

Reportagem adicional de Noah Barkin, Joseph Nasr e Andrea Shalal em Berlim, Polina Devitt e Denis Pinchuk em Moscou e Eric Walsh em Washington

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